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domingo, 2 de setembro de 2012

Cardeal Martini sobre a Igreja no Brasil

Hoje há não poucas prescrições e normas que nem sempre são entendidas pelo simples fiel. Por isso, a Igreja parece um pouco distante da realidade. Realmente estou de acordo que as multidões que vão a manifestações religiosas nem sempre as vivem com profundidade. É preciso prepará-las e depois é necessário dar um seguimento de reflexão no âmbito da paróquia ou do grupo. Não creio, no entanto, que se possa dizer que em países como o Brasil a Igreja não vive, mas sobrevive somente sobre os ossos dos primeiros heróicos missionários. A Igreja vive lá também no meio de gente simples, humilde, que faz o próprio dever, que ama, que sabe compreender e perdoar. É esta a riqueza das nossas comunidades. Tantos leigos destas nações e também tantos leigos próximos a nós são sérios e empenhados.

Corriere della Serra, 19 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Consagração ao Divino Pai Eterno


DIVINO PAI ETERNO,
aqui estamos para prestar-vos a nossa homenagem.
Nós cremos em Vós, Pai Eterno, nosso Pai e nosso Criador.
Confiamos em vossa bondade e poder.
Queremos amar-vos sempre, cumprindo vossos mandamentos
e servindo ao vosso Filho Jesus, na pessoa de nossos irmãos.

Nós vos damos graças pelo vosso amor e pela vossa ternura.
Vós nos atraís ao Vosso Santuário e nos acolheis de braços abertos.
Vós nos guiais com os ensinamentos do Vosso Filho, Nosso Senhor,
e nos dais sempre o vosso perdão.

terça-feira, 8 de março de 2011

Mártires do Rio Grande do Norte - Mártires de Uruaçu

Após as notícias dos cruéis massacres de Cunhaú, os moradores do Rio Grande do Norte tornaram-se cada vez mais receosos de novos ataques e suspeitosos da conivência das autoridades flamengas em relação aos ataques.

Por isso, alguns moradores pediram hospedagem no Forte Ceulen, nome dado pelos holandeses à Fortaleza dos Reis Magos, como hóspedes. Entre estes estava o pe. Francisco Ambrósio Ferro.

Após deixar Cunhaú, Jacó Rabe e seus comparsas continuou as pilhagens e os assassinatos em vários outros povoados do Rio Grande do Norte. Em meados de setembro, dirigiu-se a Pontegi, onde os portugueses haviam erigido uma cerca de pau-a-pique para defenderem-se dos ataques.

Em Potengi, localizada a 25 quilômetros de Natal, os moradores estavam temerosos pelo início da insurreição portuguesa em Pernambuco (a qual estava distante, considerando-se as circunstâncias de deslocamento e comunicação da época de Rio Grande) e assustados com os fatos ocorridos, principalmente em Cunhaú. Por isso, montaram uma fortaleza sólida de pau-a-pique a fim de defenderem-se dos holandeses e principalmente de Jacó Rabe. Segundo algumas fontes, setenta moradores ai se defendiam, mas contando apenas os homens adultos; fontes holandesas falam de “232 homens, mulheres e crianças” e mais “100 negros” escravos.

O Alto e Secreto Conselho do Recife determinou a execução de todos os moradores, considerando tal situação como uma insurreição. Jacó Rabe iniciou um cerco à fortaleza de Potengi, onde os moradores resistiram durante quinze dias; mas Rabe mandou trazer peças de artilharia, e os moradores foram obrigados a se render.

No dia 2 de outubro de 1645, o conselheiro Adriaen van Bullestrate, um dos responsáveis pela condução dos destinos do Brasil holandês, desembarcou no Rio Grande, a fim de verificar se as ordens de execução foram executadas.

No dia seguinte, doze portugueses que se encontravam hospedados na Fortaleza dos Reis Magos, incluindo o pe. Francisco Ambrósio, foram levados a Uruaçu, onde se localizava Potengi. Chegando no Porto de Uruaçu, chamado Potengi pelos índios, foram forçados a se despir de suas roupas e a se ajoelhar. Ao sinal dado, os índios potiguares comandados por Antônio Paraopaba, um índio educado na Holanda e um dos defensores mais fanáticos do calvinismo, massacraram de maneira crudelíssima os indefesos mártires, despedaçando-os ainda vivos, enquanto eram convidados a abjurar a fé e trair seu país.

Enquanto isso, os moradores da cerca mantinham-se em orações e penitências, cientes do destino que os aguardava. Após encerrada a execução do primeiro grupo, os soldados foram enviados para buscá-los. As ordens eram para que apenas os homens fossem levados; mas também algumas mulheres, acompanhadas pelos seus filhos, foram levadas e sacrificadas.
Beato Francisco Ambrósio
Ferro

Ao chegarem estes no local de martírio, viram o sangue e os membros dilacerados dos outros companheiros, e resignaram-se com sua sorte. Os índios os martirizaram de maneira igualmente cruel.

Dentre os fatos narrados, destacam-se a violência cometida com excesso contra o pe. Francisco Ambrósio, e a morte de Matias Moreira. Enquanto seu coração era arrancado pelas costas, exclamava: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”

Depois de assassinados, os corpos dos mártires foram reduzidos a pedaços. Não se sabe ao certo quantos foram, mas deduz-se aproximadamente oitenta mortos em Potengi, dos quais vinte e oito foram beatificados.

Mártires do Rio Grande: Mártires de Cunhaú

Após a conquista da capitania do Rio Grande pelos holandeses, em 8 de dezembro de 1633, muitos moradores foram mortos em circustâncias diferentes, Um exemplo lembrado pela história é o assassinato de Francisco Coelho, dono do engenho de Potengi, e de sua família, em 14 de dezembro do mesmo ano.

Os fatos ocorridos em Cunhaú e em Uruaçu em 1645, porém, são de natureza diversa. São fatos com uma forte matiz religiosa, e percebe-se na ação dos agressores o ódio pela fé e a aceitação livre do martírio, por amor a Deus, pelo lado dos assassinados.

Cunhaú localiza-se em uma região estratégica dentro dos limites da antiga capitania, e por isso foi logo fortemente conquistada pelos holandeses, logo em 1634. Em 1645, porém, vivia-se em relativa harmonia entre portugueses e holandeses. Apesar da insurreição iniciada em Pernambuco, a notícia ainda não chegara em Rio Grande.

Jacó Rabe era um homem extremamente violento, natural da Alemanha, mas que emigrara para Holanda e trabalhava a serviço da Companhia das Índias Ocidentais. Foi intérprete desta Companhia junto aos índios tapuias, assimilando seus costumes, e casou-se com uma índia, de nome Domingas. Aproveitando-se de sua influência junto aos índios, instigou-lhes a atacar os portugueses, invadindo, saqueando e matando-os. Chegou a ser repreendido algumas vezes pelas autoridades holandesas.

O ano de 1643, o Supremo Conselho dos holandeses expediu uma ordem de prisão contra Rabe, mas a mesma não foi cumprida. Pelo contrário, as autoridades continuaram a acobertá-lo.

No dia 15 de julho de 1645, Rabe chegou ao Rio Grande, alegando trazer uma mensagem do Supremo Conselho Holandês do Recife aos moradores de Cunhaú, e ordenou que todos esperassem após a missa dominical, no dia seguinte, para ouvirem as ordens que trouxera.

Apesar da chuva torrencial, muitas pessoas compareceram à santa Missa, afim de cumprirem o precito dominical, na igreja de Nossa Senhora das Candeias. Outros ainda não puderam comparecer à missa, e refugiaram-se na casa de engenho.

Capela onde aconteceram os martírios
O pároco, pe. André de Soveral, iniciou a santa Missa. Após a Consagração e a elevação da hóstia, Rabe mandou entrar os índios e trancar as portas. Os fiéis foram cruelmente assassinados enquanto rezavam, sem esboçar reação.

Os índios tapuias tentaram atacar o pe. André, mas este exortou-os a não tocar nos objetos sagrados e no altar, e ficaram com medo de o matar. Mas um índio potiguar, Jererera, fanaticamente convertido à religião calvinista, o feriu com uma adaga.

Após o massacre na capelinha, os agressores dirigiram-se à casa de engenho, onde quase todos os moradores tiveram semelhante fim, com exceção de três moradores, os quais fugiram pelo telhado, e do dono do engenho, Gonçalo de Oliveira, e sua família, tidos como amigos dos invasores flamengos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mártires do Rio Grande do Norte - Contexto Histórico

O ano de 1645 foi marcado por dois eventos trágicos e, ao mesmo tempo, extraordinários testemunhos de fé católica no Rio Grande do Sul. Tratam-se dos martírios do pe. André de Soveral e dos fiéis que participavam da Santa Missa em Cunhaú, e do pe. Ambrósio Francisco Ferro e outros aldeões foram assassinados pelos conquistadores calvinistas, em Uruaçú.

Contexto Histórico

A partir de 1500, com a descoberta do Brasil e o início da evangelização, a fé católica foi introduzida na colônia portuguesa através dos jesuítas, principalmente, os quais vinham em companhia do colonizadores lusitanos. Porém, Portugal não era o único interessado nas terras brasileiras. Já no século XVI, franceses fundaram a "França Antártida" na região do atual Rio de Janeiro, sendo expulsos em 1560, com o auxílio dos padres Anchieta e Manoel de Nóbrega.

Cerco holandês a Olinda, em 1630
No ano de 1580, a dinastia de Avis, regente de Portugal desde 1385 findou-se com a morte de dom Sebastião e de seu tio, o cardeal Henrique. Portugal caiu nas mãos de Filipe II, da Espanha, a qual vivia seu momento de maior esplendor.

Apesar de manter sua independência administrativa e jurídica, Portugal foi relegado a um segundo plano. Juntamente com a ascensão naval holandesa.

Os holandeses conquistaram a capitania de Pernambuco em 1630, apesar de serem constantemente ameaçados pelos portugueses, e expandiu seus territórios por capitanias vizinhas. Em 1597, os jesuítas iniciaram o trabalho evangelizador na capitania de Rio Grande após a expulsão de invasores franceses. A partir de 1633, a igreja no Rio Grande do Norte foi ameaçada pelas autoridades holandesas, calvinistas que defendiam a liberdade religiosa mas eram hostis à fé católica e que incentivava o prosetilismo calvinista.
Maurício de Nassau

O ano de 1640 é marcado pela restauração de Portugal. O grande governante holandês, Maurício de Nassau, é transferido em 1644, e a política de seus sucessores estoura a insurreição pernambucana. O clima de hostilidade dos governantes holandeses acentua-se contra os portuguesas.

O cenário no qual ocorreu os martírios de 1645 não é somente de uma guerra política, mas também de perseguição religiosa. No nordeste brasileiro, não distinção entre religião e política: Portugal e religião católica são vistos como uma coisa só; os novos governantes não toleram mais a fé católica como anteriormente Nassau. Esse é o contexto no qual se  dará o martírio de mais de cento e cinquenta pessoas, das quais trinta foram beatificadas (por teresm sido identificadas) de maneira crudelíssima pelo governo holandês e por índios convertidos ao calvinismo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Beato Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires: relato biográfico dos trinta e nove mártires

Beato Inácio de Azevedo e seus trinta
e nove companheiros, mártires

Breve relato da vida dos trinta e nove companheiros de martírio de Inácio de Azevedo:

Beato Diogo de Andrade, padre

Nascido em Pedrógão Grande, próximo a Leiria, Portugal, em 1531. Cuidava da fazenda da família; ouvia missa todos os dias e quis entrar para a Companhia pelo bom exemplo dos padres, para ajudá-los a "converter as almas à Fé de Cristo". Em Coimbra ocupou os afazeres humildes da casa, na cozinha, refeitório, portaria, etc. Depois de estudar latim e teologia moral, foi destinado ao Brasil e assim ordenado sacerdote, já com 38 ou 39 anos. A bordo da nau Santiago exercia o ofício de ministro, e foi um dos que animaram os marinheiros para a defesa da embarcação. Ferido na cabeça e a punhaladas, foi lançado vivo ao mar.

Beato Bento de Castro, irmão, estudante

Nascido em Vila de Chacim, de Trás-os-Montes, Portugal, em 1543, de família fidalga e rica. Estudando em Bragança e depois em Lisboa, aí entrou na Companhia em 1561, com quase 18 anos. Era estudante de filosofia em Coimbra quando o destinaram ao Brasil. Ficou extremamente feliz, pois desejava ser missionário e "morrer pela fé de Cristo". Embora ainda não fosse padre, exercia na nau Santiago o ofício de mestre de noviços e explicava a doutrina às pessoas da nau. Foi o primeiro a ser ferido com pelouros e punhaladas e lançado ao mar ainda vivo.

Beato Antônio Soares, irmão, estudante

Nascido em Trancoso, Portugal. Entrou na Companhia em 1565 como estudante, e ocupava-se dos ofícios comuns na casa durante a permanência em Val de Rosal. Foi ele quem deu a notícia de que a tão esperada nau Santiago havia chegado a Lisboa, vindo do Porto, em 8 de maio de 1570. Na nau Santiago ajudava os feridos e animava os combatentes. Crivado de punhaladas, foi lançado vivo ao mar.

Beato Manuel Álvares, irmão, coadjutor

Nascido em Estremoz, Portugal, em 1536, entrou na Companhia como Coadjutor, em Évora, em 1559. Era trabalhador do campo e guardava gado; contava que estava arando a terra certa vez, e sentiu o desejo de ser peregrino e nada ter por amor a Deus, fazendo parte de alguma ordem religiosa. Depois dessa inspiração de Deus, foi levado por um sacerdote à Companhia. Aprendeu a ler e pediu para ir ao Brasil. Na nau Santiago, durante o combate gritava animando os combatentes para que não se deixassem vencer pelos hereges, pois batalhavam pela fé. Foi lançado vivo ao mar.

Beato Francisco Álvares, irmão, coadjutor

Nascido em Covilhã, Portugal, em 1539. Entrou na Companhia em Évora com 25 anos de idade, e tinha o ofício de tecelão e cardador. Foi lançado vivo ao mar.

Beato Domingos Fernandes , irmão, estudante

Nascido em Vila de Borba, no Alentejo, Portugal, em 1551. Entrou na Companhia com 16 anos de idade em Évora. Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.

Beato João Fernandes, de Braga, irmão, estudante

Nascido em Braga, Portugal, em 1547. Ingressou na Companhia em Coimbra em junho de 1569, com 22 anos. Foi lançado vivo ao mar.

Beato João Fernandes, de Lisboa, irmão, estudante

Nascido em Lisboa, Portugal, em 1551. Entrou na Companhia em Coimbra, em abril de 1568, com 17 anos, habilidoso para o estudo de letras. Foi vivo ao mar.

Beato Antônio Correia, irmão, estudante

Nascido no Porto, Portugal, em 1553. Entrou para a Ordem com 16 anos. Maltratado pelos hereges com os punhos de uma adaga e lançado vivo ao mar. Ao abrir-se o processo de canonização no Porto em 1628, muitos já lhe tinham devoção.

Beato Francisco de Magalhães, irmão, estudante

Nascido em Alcácer do Sal, Portugal, em 1549. Já estudante em Évora, entrou para a companhia com 19 anos, em 1568. Cantava admiravelmente e era dedicado colaborador de Pe. Inácio; ajudava na instrução religiosa dos marinheiros. Ao ser lançado vivo ao mar, disse aos hereges: "Ah! Irmãos, Deus vos perdoe isto que fazeis".

Beato Marcos Caldeira, irmão

Nascido em Vila da Feira, Portugal, em 1547. Entrou na Companhia em Évora, com 22 anos, como indiferente, isto é, para ser estudante ou coadjutor conforme se revelassem suas aptidões. Vivo ao mar.

Beato Amaro Vaz, irmão, coadjutor

Nascido em Benviver, distrito do Porto, Portugal, em 1553. Entrou para a Companhia com 16 anos e logo seguiu para Val de Rosal. Apunhalado e atirado vivo ao mar.

Beato João Maiorga, irmão, coadjutor

Nascido em 1533, em Saint-Jean Pied-de-Port, povoado da Gasconha, pertencente à França, mas que na época do seu nascimento era da Espanha. Quando Pe. Inácio passou por Valência voltando de Roma, ele foi um dos indicados para o Brasil, pois era pintor de profissão, arte que seria muito útil então ao nosso país. Deixou quadros em Saragoça. Em Val de Rosal ensinava pintura aos companheiros, e chegou a fazer duas ou três imagens de Nossa Senhora. Era um dos designados a animar os combatentes. Lançado vivo ao mar.

Beato Alonso de Baena, irmão, coadjutor

Nascido em Villatobas, Toledo, Espanha, em 1539. Estava terminando o noviciado, com 30 anos de idade, quando Pe. Inácio o levou para Portugal com destino ao Brasil. Tinha o ofício de ourives. Em janeiro de 1570 estava residindo no Colégio do Porto, e trabalhava na horta. Um dos designados para animar os combatente e curar os feridos. Após ser ele também ferido, foi lançado ao mar vivo.

Beato Esteban de Zuraire, irmão, coadjutor

Nascido em Biscaia, Espanha. Era bordador de ofício, e ocupava o posto de roupeiro no Colégio de Placência quando por aí passou o Pe. Inácio recrutando voluntários. Um dos escolhidos para animar os combates. Lançado vivo ao mar.

Beato Juan de San Martín, irmão, estudante

Nascido em Yuncos, Toledo, Espanha, em 1550. Estudava na Universidade de Alcalá e foi para Portugal com destino ao Brasil. Animava os combates. Lançado vivo ao mar.

Beato Juan de Zafra, irmão, coadjutor

Nascido em Jerez, Espanha. Aceito para o Brasil em Cuenca, entrou na Companhia em Évora, a 8 de fevereiro de 1570. Lançado vivo ao mar.

Beato Francisco Pérez Godói, irmão, estudante

Nascido em Torrijos, Espanha, em 1540. Bacharel em Cânones pela Universidade de Salamanca. Fez os Exercícios Espirituais e entrou na Ordem em abril de 1569. Foi com Pe. Inácio para Portugal, onde continuou o noviciado, já com 30 anos de idade. Era parente de Santa Teresa de Ávila. Muito estimado por todos, era também cantor e tocava harpa e outros instrumentos. Um dos escolhidos para animar os combates. Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.

Beato Gregório Escribano, irmão, coadjutor

Nascido em Logroño, Espanha. Veio com Pe. Inácio para Portugal quando este passou pela Espanha. Lançado vivo ao mar.

Beato Fernán Sanchez, irmão, estudante

Nascido na Espanha, em Castela-a-Velha. Recebido em Salamanca por Pe. Inácio , com destino ao Brasil. Lançado ferido ao mar.

Beato Gonçalo Henriques, irmão, estudante

Nascido no Porto, Portugal. Era subdiácono ou diácono. Um dos que animavam os combates. Lançado ao mar, não se sabe se ainda vivo ou já morto.

Beato Álvaro Borralho, irmão, estudante

Nascido em Elvas, Alentejo, Portugal. Era excelente cantor. Embora tenha adoecido na Ilha da Madeira, quis seguir na nau Santiago. Lançado vivo ao mar.

Beato Pero Nunes, irmão, estudante

Adicionar legendaNascido em Fronteira, Alentejo, Portugal. Lançado vivo ao mar.

Beato Manuel Rodrigues, irmão, estudante

Nascido em Alcochete, Portugal. Lançado vivo ao mar.

Beato Nicolau Diniz, irmão, estudante

Nascido em Bragança, Portugal, em 1553. Era de pele morena, tinha graça em representar, e entrou na Companhia em Val de rosal, com 17 anos. Lançado vivo ao mar.

Beato Luís Correia, irmão, estudante

Nascido em Évora, Portugal. Vivo ao mar.

Beato Diogo Mimoso, irmão, estudante

Nascido em Nisa, Portalegre, Portugal. Freqüentava o curso de filosofia na Universidade de Évora. Ofereceu-se para ir ao Brasil e foi recebido. Morto à lançada e jogado ao mar.

Beato Aleixo Delgado, irmão, estudante

Nascido em Elvas, Portugal, em 1555. Filho de um cego, a quem servia de guia. Como era pobre, entrou para o Colégio de Évora servindo e estudando ao mesmo tempo. Passando Pe. Inácio por Évora, admitiu-o na Companhia para ir para o Brasil, com apenas 14 anos de idade. Era bom cantor. Vivo ao mar.

Beato Brás Ribeiro, irmão, coadjutor

Nascido em Braga, Portugal, em 1546. Já estava na Companhia, no Porto, quando o Pe. Inácio o recebeu para o Brasil em janeiro de 1570, com 24 anos de idade. Os hereges o mataram com uma cutilada na cabeça enquanto estava ajoelhado rezando diante das relíquias, e morto foi lançado ao mar.

Beato Luís Rodrigues, irmão, estudante

Nascido em Évora, Portugal, em 1554. Entrou na Companhia enquanto cursava o ginásio, aos 16 anos, em 15 de janeiro de 1570. Continuou o noviciado em Val de Rosal e na nau do martírio. Depois da morte do Pe. Inácio exortava os colegas: "Irmãos, animemo-nos e ajudemo-nos do Credo, porque o sangue de Cristo não se há de perder". Ferido a punhaladas e lançado ainda vivo ao mar.

Beato André Gonçalves, irmão, estudante

Nascido em Viana de Alvito, Portugal. Havia estudado na Universidade de Évora. Foi recebido pelo Pe. Inácio diretamente para o Brasil. Depois de apunhalado, foi lançado ao mar.

Beato Gaspar Álvares, irmão

Nascido no Porto, Portugal. Quando a nau foi atacada pela armada dos huguenotes e atacada por balas de canhão, uma delas quase acertou Gaspar, que disse: "Oh! Prouvera a Deus que aquele pelouro me tivesse acertado e matado por amor de Deus". Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.

Beato Manuel Fernandes, irmão, estudante

Nascido em Celorico, Portugal. Vivo ao mar.

Beato Manuel Pacheco, irmão, estudante

Nascido em Ceuta, cidade que à época pertencia a Portugal, ao norte do Marrocos. Um dos que animavam os combates. Lançado ao mar.

Beato Pedro Fontoura, irmão, coadjutor

Nascido em Braga, Portugal. Estando em oração diante das relíquias, um herege acutilou-o no rosto, cortando-lhe a língua; assim foi lançado ao mar.

Beato Antônio Fernandes, irmão, coadjutor

Nascido em Montemor-o-Nôvo, Portugal. Entrou na Companhia em janeiro de 1570; era muito bom carpinteiro e em Val de Rosal era o chefe de oficina. Lançado vivo ao mar.

Beato Simão da Costa, irmão, coadjutor

Nascido no Porto, Portugal. Como era noviço a pouco tempo e ainda não estava com o hábito, a veste religiosa, os hereges acharam que deveria ser algum pajem, pelo qual poderiam exigir algum resgate. Por isso não o mataram no dia 15, como fizeram com todos os demais. Foi interrogado no dia seguinte, e ao responder que era religioso como os outros, foi degolado. Foi o único que recebeu esse gênero de martírio, e no dia seguinte, 16 de julho de 1570.

Beato Simão Lopes, irmão, estudante

Nascido em Ourém, Portugal. Vivo ao mar.

Beato João Adauto

Natural de Entre Douro e Minho, Portugal. Sobrinho do capitão da nau Santiago, não era da Companhia, embora desejasse vir a sê-lo. Em toda a viagem andava com Pe. Inácio e os demais religiosos, e durante o combate vestiu um dos hábitos religiosos que tiraram dos jesuítas. Vendo que os irmãos se deixavam matar sem resistência, consentiu no mesmo. Lançado vivo ao mar.

Beato Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires

Natural de Porto, em Portugal, Inácio de Azevedo foi martirizado enquanto se encaminhava para o Brasil com uma comitiva de mais trinta e sete jesuítas irmãos e um padre jesuíta, quando foram abordados por um navio pirata comandado pelos huguenotes, perto das Ilhas Canárias, e foram martirizados.
Dentre todos os quarenta mártires, somente Inácio já havia posto os pés no Brasil. Para os demais, a Terra de Santa Cruz era apenas um sonho, o qual não realizou-se.

Inácio era oriundo de uma família rica e influente da região de Porto, em Portugal, nascido em 1526 ou 1527. Era filho ilegítimo do comendador Manuel de Azevedo, legitimado aos doze anos de idade por decreto do rei. Um de seus irmãos, D. Jerônimo de Azevedo, tornou-se vice-rei da Índia portuguesa.

Aos dezoito anos foi nomeado pelo pai administrador das riquezas da família. Mas, ao ouvir as pregações dos padres jesuítas, decidiu abandonar tudo o que tinha e ingressar na Companhia de Jesus, em 1548, com vinte e dois anos de idade.

Destacou-se pelas suas virtudes, pela dedicação nos estudos e obrigações, pela vida intensa de oração e pela humildade. Rapidamente alcançou a confiança dos superiores, e tornou-se superior do Colégio de Lisboa antes mesmo da ordenação sacerdotal, ocorrida em 1553, com vinte e cinco ou vinte e seis anos. Após a ordenação, trabalhou na Diocese de Braga, cujo bispo pedira aos jesuítas padres para ajudá-lo a organizar a Diocese.

Beato Inácio de Azevedo
Em 1565, são Francisco Borja, Superior Geral da Companhia de Jesus, envia-o como visitador apostólico para o Brasil e a Índia. Chegou em terras brasileiras em 24 de agosto de 1566, com quarenta anos de idade. Visitou todas as obras jesuítas no Brasil. Conheceu aqui Mém de Sá e também o pe. Anchieta e o pe. Manoel da Nóbrega, os quais estavam atuando em missão no país.

Após três anos de visitas, pediu ao Superior Geral reforços para as missões, o qual lhe autorizou a organizar uma expedição. Retornando à Europa, reuniu em Portugal e na Espanha um grupo de setenta e três missionários, e organizou a expedição para virem ao país. Em 1569, foi nomeado Provincial jesuíta no Brasil, cargo no qual foi sucedido após a morte por pe. Manoel da Nóbrega e depois por José de Anchieta.

Em 5 de junho de 1570, Inácio partiu para o Brasil em companhia de três naus do novo Governador Geral do Brasil, Dom Luiz Fernandez de Vasconcellos. A nau do governador parou na Ilha da Madeira, onde este precisava cumprir alguns compromissos antes de partir. A nau de Inácio, chamada Santiago, devia seguir às Ilhas Canárias, a fim de desembarcar mercadorias. No dia 15 de julho, navios corsários do pirata Jacques Soria pararam a embarcação onde Inácio estava com mais trinta e oito religiosos, dos quais um padre (Pe. Diogo de Andrade), e assaltaram o navio. Deixaram os passageiros em paz, mas atacaram violentamente os religiosos. Inácio foi brutalmente ferido, mas mesmo assim continuou inspirando coragem aos seus companheiros: "Irmãos, não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos um colégio no céu!"

Visão de Sta. Tereza de Ávila
sobre o martírio de Inácio e
seus companheiros
Um rapaz, de nome João Adauto, era sobrinho do capitão da nau, e alimentava o desejo de ingressar nos jesuítas. Enquanto via o martírio dos religiosos, não resistiu quando ele mesmo também foi atirado ao mar para a morte. Ele também é considerado um dos quarenta mártires.

Um dos irmãos presentes, Francisco Pérez de Godoy, era parente de Santa Tereza de Ávila. Narra-se, inclusive, que a santa teve uma visão do martírio destes bem-aventurados.

Parte do grupo de jesuítas arregimentados por Inácio, os quais viajavam na nau do governador comandados pelo pe. Pero Dias, permaneceu na Ilha da Madeira. Após receberem a notícia do martírio de seus companheiros, embarcaram  em duas naus distintas, e seguiram viagem para o Brasil em fins de 1570, mas tempestades e mau tempo os desviaram da rota original e foram parar em Cuba, onde um dos irmãos foi deixado por motivo de doença.

Ao retornar ao mar e tentar retomar a rota original, voltaram para perto das Ilhas Canárias, onde foram atacados por piratas. Em uma triste coincidência, um dos navios participantes do ataque era o mesmo usado por Jacques Soria. Era dia 13 de setembro de 1571: cinco irmãos foram mortos naquele dia, e outros nove atirados ao mar no dia seguinte; dois destes últimos, porém , sobreviveram e foram salvos por um navio francês, que os deixou na costa espanhola, onde narraram o martírio de seus doze companheiros. Um dos irmãos, porém, teve medo da morte e disfarçou-se de um funcionário na tripulação; por fim, foi lançado ao mar, mas não foi considerado mártir.

A causa de beatificação de todos os 52 religiosos jesuítas foi introduzida em conjunto, em 1628. Porém, devido às dificuldades em tratar do processo dos dois grupos em conjunto fez cada um seguir seu rumo próprio. Foram beatificados pelo papa Pio IX em 11 de maio de 1854, quando já possuíam um culto amplamente enraizados em Portugal e na Espanha. Os outros doze mártires de 1571 são ainda Servos de Deus.

Inácio de Azevedo e seus companheiros, "Mártires do Brasil"

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Beato José de Anchieta

José de Anchieta é natural de Tenerife, nas ilhas Canárias, na Espanha. Nasceu no ano de 1534, no dia 19 de março, em uma rica família e com possíveis laços de parentesco com Santo Inácio de Loyola, no mesmo ano em que este fundaria a Companhia de Jesus, na qual Anchieta ingressaria em 1551, dezessete anos depois.


Descendente de judeus convertidos, os quais eram mal vistos pela Inquisição espanhola, Anchieta mudou-se em 1948 para Coimbra, Portugal, a fim de prosseguir os seus estudos. Aos dezessete anos de idade decidiu-se a ingressar na Companhia de Jesus.

Ainda bem jovem, teve um deslocamento na espinha (há quem diga que padecia de "espinhela caída", outros de tuberculose óssea) e seus superiores decidiram enviá-lo juntamente com o pe. Manoel da Nóbrega em missão no Brasil, na esperança de o clima quente ajudá-lo a se recuperar de suas dores.

Em 1553, logo após seus primeiros votos, partiu para o Brasil, onde chegou em 13 de junho, acompanhando o segundo governador-geral do Brasil, Duarte da Costa. Ele ainda tinha dezenove anos de idade. Dirigiu-se para a capitania de São Vicente, onde juntou-se a pe. Manoel da Nóbrega na edificação do Colégio de São Paulo em Piratininga, o qual deu origem à cidade de São Paulo. A fundação do Colégio foi festejada em 25 de janeiro de 1554, festa da Conversão de São Paulo.

No ano de 1557, estoura a chamada Confederação dos Tamoios, onde os índios tupinambas uniram-se aos invasores franceses protestantes (huguenotes que pretendiam formar um país calvinista na Baía de Guanabara) e iniciam uma resistência para expulsar os portugueses do Brasil. Os índios guaianases, evangelizados pelos jesuítas, uniram-se aos portugueses para expulsar os invasores franceses e derrotar os índios armados. Após a morte do cacique Tibiriçá (um dos co-fundadores de São Paulo), anchieta e pe. Manoel da Nóbrega interfiriram e negociaram uma trégua. Anchieta ofereceu-se como refém dos tamoios, enquanto o chefe da Confederação, Cunhambebe, dirigiu-se com pe. Nóbrega para negociar a paz.

São diversos os relatos sobre a estadia de Anchieta entre os tamoios: os índios ficaram muito assustados ao ver a piedade e a santidade de vida daquele jovem rapaz. Mesmo atormentado pelas dores nas costas, auxiliava a quem podia; era modelo de pureza e castidade. Corriam boatos entre os índios de que ele levitava e seria um fortíssimo feiticeiro. Mas logo o temor tornou-se admiração.

Nesse período também compôs uma de suas obras primas: O Poema da Virgem, tido como o primeiro poema escrito no Brasil, com 4.172 versos, escritos nas areias da atual praia do Flamengo e memorizados pelo seu autor, o qual os transcreveria ao chegar em São Vicente.

Volta então ao Colégio de São Paulo, onde se dedica a lecionar: muitos assustam-se com sua figura, e especulam que não demorará muito a sua morte. As dores nas costas são constantes, e haverão de acompanhá-lo até a morte.

Anchieta escreve na areia
sua obra prima:"Poema da Virgem"
Foi ordenado sacerdote em 1560, com vinte e seis anos de idade, pelo segundo bispo do Brasil, dom Pero Leitão; a ordenação não ocorreu antes devido ao ataque e massacre da comitiva do primeiro bispo, dom Pedro Fernandes Sardinha.

Fundou diversos colégios e vilas, como Iritiba, no espírito Santo, em 1569; no ano de 1565, acompanhou a fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro. Dois anos depois, esteve ao lado de Mém de Sá e do índio Araribóia, combateu os remanescentes franceses e tamoios, expulsando-os.

Em 1577, com então quarenta e um anos de idade, foi nomeado Provincial jesuíta do Brasil, em substituição ao pe. Manoel da Nóbrega, o qual renunciara ao cargo por motivos de idade. Ele visitava todas as missões jesuítas, do litoral de Pernambuco a são Paulo. Apesar das dores na costa, do corpo já mirrado, aparentando mais idade do que realmente tinha, fazia quase todo o percurso a pé, pois as dores o impediam de montar. Os índios apelidaram-no de Caraibebe, padre de asas, pois surpreendia a todos na velocidade em que andava, superando inclusive homens mais fortes e vigorosos.

Em 1587, deixou o cargo de provincial, e foi nomeado para dirigir o Colégio de Vitória, na capitania do Espírito Santo, cargo que exerceu até 1595, quando retirou-se para Iritiba.


Anchieta e o pe. Auspicueta, ambos formados em filologia, dedicaram-se a compreender melhor a língua falada pelos indígenas, chamada pelos portugueses de "abanheenga" e perceberam que todas elas possuem uma mesma raiz, com diferenciações dialéticas. A partir do maior contato com os índios, escreveu a "Arte da gramática da língua mais falada na Costa do Brasil", o primeiro manual de tupi-guarani, visando facilitar o contato dos missionários com os índios. Foi publicado em 1595, dois anos antes de sua morte.

A sua obra literária é vastíssima, composta por autos de teatro, catecismos, cartas, poemas e muitos outros. Anchieta faleceu em Iritiba, atual Anchieta, em 9 de junho de 1597, com sessenta e três anos de idade.

Seu processo de beatificação foi iniciado em 1617, mas foi atrapalhado e interrompido pela perseguição do Marquês de Pombal aos jesuítas. Anchieta só foi beatificado em 2 de junho de 1980, no Vaticano, pelo papa João Paulo II.



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Diferença entre santo e beato

Antes de iniciar com a série dos beatos brasileiros, devo dar uma palavrinha sobre a diferença entre a beatificação e a canonização:
Beato José de Anchieta

A beatificação é quando o Papa declara alguém Beato (ou Bem-aventurado), como são atualmente o Beato Anchieta e os Beatos Mártires do RN; a canonização é quando o Papa declara que um beato é Santo, com aconteceu com Santa Paulina (de Beata Paulina passou a ser chamada Santa Paulina; o mesmo poderá acontecer um dia com os outros nossos beatos).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Homilia do Papa Bento XVI na canonização de Frei Galvão

VIAGEM APOSTÓLICA
DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
AO BRASIL POR OCASIÃO DA V CONFERÊNCIA GERAL
 DO EPISCOPADO DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE
SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO
DE FREI ANTÔNIO DE SANT'ANNA GALVÃO, OFM
HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
Aeroporto "Campo de Marte", São Paulo
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,
«Bendirei continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará meus lábios» [Sl 33,2]
1. Alegremos-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado no Santo Sacrifício do Altar.
Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.
Quero agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, que foi a voz de todos vós, e a atenção do seu predecessor, o Cardeal Cláudio Hummes, que com tanto esmero empenhou-se pela causa do Frei Galvão. Agradeço a presença de cada um e de cada uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos de outras cidades e nações. Alegro-me que através dos meios de comunicação, minhas palavras e as expressões do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham certeza: o Papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama.
Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: «Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos» (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece.
Saúdo com afeto, a toda a comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.
2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.
Deus vem ao nosso encontro, "procura conquistar-nos - até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente" (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença.
Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em "laus perennis", em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado grave.
3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena Maria, que foi a primeira "recolhida" destinada a dar início ao "Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição", testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: "Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram". Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências.
4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século XVIII, definindo Frei Galvão como "homem de paz e de caridade". Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amo». Mas logo a seguir acrescenta: que «deis fruto e o vosso fruto permaneça» (cf. Jo 15, 12.16). E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?
A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.
Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.
Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá como tema básico: "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida". Como não ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina está chamada a enfrentar?
5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt 11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige. Como não ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno, de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão, assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador. Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.
De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.
Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração da sua castidade: "tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor". São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.
É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima, quando invocarmos proteção e auxílio à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados para a vida religiosa.
6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de Oração de Marienfeld na Alemanha: diante de uma multidão de jovens, quis definir os santos da nossa época como verdadeiros reformadores. E acrescentava: "só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo" (Homilia, 20/08/2005). Este é o convite que faço hoje a todos vós, do primeiro ao último, nesta imensa Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo» (Lv 11,44). Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com a fé é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, como também necessária a santidade, cada qual no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!

Santo Antônio de Santana Galvão

Antonio Galvão era o quarto filho de Antônio Galvão de França, capitão-mor da freguesia de Santo Antônio de Guarantiguetá, comerciante e membro da Ordem Terceira de São Francisco; e de Isabel Leite de Barros, conhecida por sua generosidade. Nasceu no ano de 1739 (não se sabe ao certo o dia), aproximadamente vinte e dois anos após a imagem de Nossa Senhora Aparecida ser encontrada no rio Paraíba, próximo a Guaratinguetá.

Com treze anos de idade, ingressou no seminário jesuíta de Cachoeira, Bahia, onde inclusive já se encontrava um de seus irmãos. Em 1755, falece sua mãe. No ano seguinte, devido à perseguição promovida pelo marquês de Pombal aos jesuítas, transfere-se, a conselho do pai, para o convento franciscano de Taubaté, apesar do desejo de se tornar padre daquela congregação.

Com vinte e um anos de idade, decide-se a ingressar na Ordem de são Francisco e torna-se noviço, adotando o nome de Antônio Santana, em homenagem à mãe de Nossa Senhora. Em 1761, com vinte e dois anos de idade, faz a profissão solene dos votos, durante a qual fez também o voto de defender a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, uma verdade de fé rejeitada por muitos ainda naquela época, e que só seria declarada como dogma em 1854.

Em 11 de julho de 1762, com vinte e três anos de idade, frei Antônio Galvão foi ordenado sacerdote e transferido para o Convento de São Francisco na cidade de São Paulo, a fim de continuar seus estudos. Durante a viagem para São Paulo, passou em Guaratinguetá para celebrar sua primeira missa, realizada na Matriz de Santo Antônio, mesma igreja de seu batismo. Em 1768, com vinte e nove anos, foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento, considerado um cargo importante naquela época. Destacou-se de tal forma pela sua vida piedosa e pela sua dedicação ao ponto de a Câmara Municipal lhe considerar o "novo esplendor do Convento".

Com trinta e um anos, foi convidado para fazer parte da Academia Paulistana de Letras. Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Santa Ana.

De 1769 a 1770, atuou como confessor no Recolhimento de Santa Teresa, casa que abrigava devotas de Teresa de Ávila na cidade de São Paulo, onde vivia a irmã Helena Maria do Espírito Santo, uma freira penitente, a qual afirmava ter visões onde Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Como era seu confessor, frei Galvão estudou as mensagens e se consultou com os outros religiosos, e as reconheceram como válidas e sobrenaturais. Por isso, ele ajudou a criar o novo Recolhimento, chamado Nossa Senhora da Luz, fundado em 2 de fevereiro de 1774, festa da Apresentação do Senhor, em São Paulo. Era baseado na Ordem da Imaculada Conceição, e se tornou um lar para meninas desejosas de viver uma vida religiosa sem fazer votos. Com a morte repentina da irmã Helena em 23 de fevereiro de 1775, tornou-se o novo superior do instituto. Tinha ele trinta e seis anos de idade.

Naquela altura, já tinha fama de santidade e de ser capaz de milagres, gerando uma grande procura pelos doentes. Sem condições de visitar um enfermo, escreveu num pedaço de papel uma frase do Ofício de Nossa Senhora: Post partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis ("Após o parto, ó Virgem, inviolada permanecestes: rogai por nós, Santa Mãe de Deus"). Em seguida, enrolou o papel no formato de uma pílula e deu-o a uma jovem cujas fortes cólicas renais estavam colocando sua vida em risco. Depois que ela tomou a pílula a dor cessou imediatamente e ela expeliu uma grande quantidade de cálculo renal. Em outra ocasião, um homem pediu-lhe ajuda para sua esposa, a qual passava por um parto difícil. O frei enviou-lhe as pílulas de papel, e a criança nasceu rapidamente, sem maiores complicações. A história das pílulas espalhou-se rapidamente e frei Galvão foi obrigado a ensinar às irmãs do Recolhimento como fabricá-las, o que elas fazem até os dias de hoje. Elas são distribuídas gratuitamente para cerca de 300 fiéis diariamente.


Naquela época, uma mudança no governo da província de São Paulo trouxe um líder inflexível , e este ordenou o fechamento do convento. Frei Galvão aceitou a decisão, mas as freiras se recusaram a abandonar o local, e devido à pressão popular e aos esforços do bispo, o convento foi logo reaberto. Posteriormente, com o crescente número de novas irmãs, a construção de mais espaço de convivência se tornou necessária. Frei Galvão demorou vinte e oito anos para construir um novo convento e uma igreja, sendo esta última inaugurada em 15 de agosto de 1802. Além das obras de construção e dos deveres dentro e fora de sua Ordem, ainda comprometeu-se também com a formação das irmãs. Os estatutos escritos por ele eram um guia para a vida interior e para a disciplina das religiosas.
Quando as coisas pareciam estar mais calmas, uma outra intervenção do governo trouxe uma nova provação para frei Galvão. O capitão-mor sentenciou um soldado à morte por ofender seu filho, e o sacerdote foi obrigado a se exilar por ter defendido o soldado. Mais uma vez, a pressão popular conseguiu revogar a ordem contra o padre.

Em 1781, frei Galvão foi nomeado mestre dos noviços em Macacu. Entretanto, as irmãs e o Bispo de São Paulo, Dom Manuel da Ressurreição, recorreram ao superior provincial, escrevendo-lhe que "nenhum dos habitantes desta cidade será capaz de suportar a ausência deste religioso por um único momento". Como resultado, ele foi mandado de volta para São Paulo. Mais tarde, em 1798, foi nomeado guardião do Convento de São Francisco, sendo reeleito em 1801.

Em 1811, fundou o Convm a formação das irmãs. Os estatutos escritos por ele eram um guia para a vida interior e para a disciplina das religiosas.

Quando as coisas pareciam estar mais calmas, uma outra intervenção do governo trouxe uma nova provação para frei Galvão. O capitão-mor sentenciou um soldado à morte por ofender seu filho, e o sacerdote foi obrigado a se exilar por ter defendido o soldado. Mais uma vez, a pressão popular conseguiu revogar a ordem contra o padre.

Em 1781, frei Galvão foi nomeado mestre dos noviços em Macacu. Entretanto, as irmãs e o Bispo de São Paulo, Dom Manuel da Ressurreição, recorreram ao superior provincial, escrevendo-lhe que "nenhum dos habitantes desta cidade será capaz de suportar a ausência deste religioso por um único momento". Como resultado, ele foi mandado de volta para São Paulo. Mais tarde, em 1798, foi nomeado guardião do Convento de São Francisco, sendo reeleito em 1801.

Em 1811, fundou o Convento de Santa Clara em Sorocaba. Onze meses depois, retornou ao Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo. Em sua velhice, obteve permissão do bispo dom Mateus de Abreu Pereira para ficar no Recolhimento, onde faleceu em 23 de dezembro de 1822, com oitenta e três anos de idade.

Frei Galvão foi sepultado na igreja do Recolhimento Nossa Senhora da Luz, sendo o seu túmulo um destino de peregrinação dos fiéis que teriam obtido favores devido a sua intercessão. Na época de seu enterro, sua fama de santo já havia se espalhado por todo o Brasil, e os frequentadores de seu velório, desejosos em guardar uma relíquia sua, foram cortando pedacinhos de seu hábito, o qual foi reduzido até os joelhos. Como ele somente possuía aquele hábito, foi sepultado com um de outro frade, ficando igualmente curto (frei Galvão tinha aproximadamente 1,90 m de altura!). A primeira lápide do túmulo teria o mesmo destino de seu hábito, sendo pouco a pouco quebrada e levada pelos devotos, os quais colocavam as pedras nos copos com água para os doentes.

Frei Galvão foi beatificado em 25 de outubro de 1998, no Vaticano, pelo papa João Paulo II. Foi o primeiro bem-aventurado nascido no Brasil. Em 11 de maio de 20087, em visita do papa Bento XVI ao Brasil, foi canonizado em São Paulo.ento de Santa Clara em Sorocaba. Onze meses depois, retornou ao Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo. Em sua velhice, obteve permissão do bispo dom Mateus de Abreu Pereira para ficar no Recolhimento, onde faleceu em 23 de dezembro de 1822, com oitenta e três anos de idade.

Frei Galvão foi sepultado na igreja do Recolhimento Nossa Senhora da Luz, sendo o seu túmulo um destino de peregrinação dos fiéis que teriam obtido favores devido a sua intercessão. Na época de seu enterro, sua fama de santo já havia se espalhado por todo o Brasil, e os frequentadores de seu velório, desejosos em guardar uma relíquia sua, foram cortando pedacinhos de seu hábito, o qual foi reduzido até os joelhos. Como ele somente possuía aquele hábito, foi sepultado com um de outro frade, ficando igualmente curto (frei Galvão tinha aproximadamente 1,90 m de altura!). A primeira lápide do túmulo teria o mesmo destino de seu hábito, sendo pouco a pouco quebrada e levada pelos devotos, os quais colocavam as pedras nos copos com água para os doentes.

Frei Galvão foi beatificado em 25 de outubro de 1998, no Vaticano, pelo papa João Paulo II. Foi o primeiro bem-aventurado nascido no Brasil. Em 11 de maio de 20087, em visita do papa Bento XVI ao Brasil, foi canonizado em São Paulo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

São Roque Gonzáles e companheiros

São Roque Gonzáles e companheiros


São Roque Gonzáles, Santo Afonso Rodrigues e são João de Castilho são padres jesuítas, de origens espanhola e paraguaia (Roque Gonzáles) e foram uns dos primeiros a evangelizar o sul do Brasil. Podem ser considerados entre os primeiros mártires a derramarem o seu sangue em solo do Brasil.

Roque González nasceu em Assunção, no Paraguai, em 1576. Era filho de espanhóis, e desde cedo recebeu uma esmerada educação com os missionários jesuítas espanhóis. Sentia-se desde pequeno inclinado à vocação sacerdotal, e foi ordenado padre diocesano com apenas vinte e dois anos de idade.

Padre Roque destacava-se pelo seu zelo também com os indígenas, visitando quase diariamente os povoados e dedicando-lhes uma especial catequese. O desejo missionário era ardente em seu peito, e isso levou-lhe, com trinta e três anos de idade, a pedir a admissão na Companhia de Jesus, a qual edificava as reduções indígenas.

As reduções jesuíticas fundadas na América Latina, especialmente no sul do Brasil e nos países adjacentes eram aldeamentos indígenas altamente organizados e sob administração dos padres jesuítas. Dentro de seus limites, formavam uma sociedade onde se conjugavam a cultura europeia e indígena, conjugando os valores positivos e evitando os defeitos de cada uma.

As reduções acolhiam milhares de indígenas, os quais recebiam catequese cristã e eram educados segundo moldes europeus, sem, contudo, perderem o cerne de sua identidade cultural. Ali aprendiam a agricultura, a construção, a arquitetura, a carpintaria, a metalurgia, a pecuária, as artes musicais e teatrais, a ler e escrever. As reduções eram também autônomas, e esse fato gerava muita oposição por parte: dos colonizadores, os quais temiam a consolidação de um “império jesuítico”; dos traficantes de escravos, vendo sua “fonte de renda” bem defendida e organizada; de outras tribos selvagens, entrando em conflito e tentando atacá-las; e dos demais colonizadores, segundo a mentalidade de que os indígenas não valiam tamanho esforço por parte dos missionários.

O período de meados do século XVII, quando viviam os três mártires, pode ser considerado o auge das reduções na América Latina.

Nossa Senhora da Conceição,
com traços indígenas
Foi nas missões que pe. Roque teve contato com pe. Afonso Rodrigues, jesuíta espanhol, natural de Zamora, província próxima ao norte de Portugal, e famosa pelo tratado da independência de Portugal, em 1143 (Tratado de Zamora). Afonso ingressou desde cedo na Companhia de Jesus, em Salamanca, onde realizou seus estudos. Com dezoito anos, foi enviado com outros companheiros para Córdoba, na Argentina, onde prosseguiu com os estudos e foi ordenado aos vinte e cinco anos de idade. Dedicou-se ao trabalho de evangelização com os índios guaicurus e na redução de Itapuã, até fundar em companhia de pe. Roque a redução de Todos os Santos em Caaró, em 1 de novembro de 1628.

Juntamente com Afonso, veio para a América João de Castilho (Juan del Castillo). Nobre de nascimento, natural de Belmonte, nasceu em 14 de setembro de 1595. cursou Direito na Universidade de Alcalá, onde decidiu-se definitivamente a ingressar na Companhia de Jesus, em 1614, com dezenove anos de idade. Prontificou-se a vir para a América, onde estudou em Córdoba e depois foi enviado ao Chile, onde foi ordenado sacerdote em 1625, com trinta anos de idade, e partiu para a missão de são Nicolau, recém-fundada pelo pe. Roque, na região do atual Rio Grande do Sul.

Em 1 de novembro de 1628, pe. Roque, em companhia de outros sacerdotes, inclusive os seus outros dois companheiros mártires, fundaram a redução de Todos os Santos, em Caaró, atualmente Caibaté, no rio Grande do Sul. Isso gerou a ira do cacique Nheçu, um curandeiro local que via os seus clientes desaparecerem e perdia cada vez mais seu poder por causa das reduções jesuítas.

Coração de são Roque Gonzáles
No dia 15 de novembro de 1628, quando acabava de celebrar a Santa Missa, pe. Roque Gonzáles foi atacado por um grupo de indígenas armados e comandados pelo cacique, os quais o mataram a marteladas com machados de pedra. Em seguida deram o mesmo tratamento a pe. Afonso Rodriguez, que saíra de sua cabana ao ouvir o barulho. Os índios atearam fogo à capela e jogaram no meio das chamas os corpos dos dois mártires.O coração de pe. Roque, porém, permaneceu ileso dentro das chamas. Ele tinha cinquenta e dois anos de idade e pe. Afonso, trinta.

Dois dias depois, em 17 de novembro, houve um novo ataque à redução, e desta vez assassinaram o pe. João de Castilho, e ainda um catecúmeno que tentou defendê-lo, o cacique Adauto, já de certa idade. Pe. João tinha trinta e três anos de idade.

Roque Gonzáles e seus companheiros foram beatificados por Pio XI em 28 de janeiro de 1934, e canonizados pelo João Paulo II em 16 de maio de 1988, quando o papa visitava Assunção. São os primeiros santos canonizados e que dedicaram suas vidas pela evangelização do Brasil.