A vós, ó Deus, louvamos,a vós, Senhor, cantamos.A vós, Eterno Pai,adora toda a terra.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
domingo, 2 de setembro de 2012
Cardeal Martini aos jovens: "A liberdade nem sempre é encontrada onde se espera que ela esteja"
A liberdade vem apenas do coração
Cardeal Martini: entrevista sobre os meios de comunicação
No dia 26 de março de 2010. o jornal Il Sole publicou uma entrevista do cardeal Martini, na qual ele falou principalmente sobre a internet. O texto a seguir eu o retirei do seguinte link.
Cardeal Martini, há duas passagens do Evangelho de João que voltam frequentemente à mente nestes dias de novas tecnologias, de novas mídias: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos fará livres", e outra que diz, ao invés, mais sombriamente: "Os homens preferem as trevas à luz", palavras que Leopardi coloca em "La ginestra". Quando o senhor olha para as novas mídias, fica mais animado pela esperança de que conhecer a verdade nos torna livres ou mais preocupado pela escolha das trevas?
Fico mais contente porque as mídias existem, são muito ampliadas: eu mesmo as uso com muito gosto, por isso, me move mais a confiança de que as mídias podem criar pontes entre as pessoas. Depois, elas também podem ser mal usadas, mas o objetivo de comunicar é muito bonito.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
A confissão de fé de um ateu: Somente um Deus nos pode salvar
HEIDEGGER
terça-feira, 8 de março de 2011
Mártires do Rio Grande do Norte - Mártires de Uruaçu
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| Beato Francisco Ambrósio Ferro |
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Mártires do Rio Grande do Norte - Contexto Histórico
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| Cerco holandês a Olinda, em 1630 |
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| Maurício de Nassau |
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O processo de canonização
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| Canonização de Sta. Maria Goretti, tida como uma das mais emocionantes da história |
A segunda fase é chamada fase romana, pois se dá em Roma, e pode culminar com a beatificação. a responsabilidade é agora da Congregação para a Causa dos Santos. Presidida pelo Presidente, auxiliado por um secretário, auxiliado pelos subsecretários, estes verificam se a investigação procedida na Diocese foi realizada segundo as normas da Igreja, e, em caso positivo, encaminham o processo do Servo de Deus a um Colégio de Relatores, os quais estudam o processo em questão, segundo as circunstâncias teológicas, históricas e outras, e preparam um documento, chamado Positio, sobre as virtudes e o martírio.![]() |
| Canonização de frei Galvão, em São Paulo |
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Como é o processo de canonização?
1) Aos Bispos diocesanos ou às autoridades eclesiásticas que a eles são equiparadas pelo Direito, no âmbito da própria jurisdição, seja em virtude do próprio ofício, seja por instância dos fiéis, individualmente, em legítimas associações ou por meio dos seus representantes, compete o direito de investigar sobre a vida, as virtudes, o martírio e a fama de santidade ou de martírio, sobre os possíveis milagres e, eventualmente, sobre o culto antigo de um servo de Deus, para o qual se pede a canonização.
2) Em tal investigação o Bispo proceda segundo as Normas peculiares emanadas pela Congregação das Causas dos Santos, e com a seguinte ordem:
1º Peça ao Postulador da Causa, legitimamente nomeado pelo Autor, uma cuidada informação sobre a vida do Servo de Deus, e faça-se informar acuradamente por ele acerca dos motivos que parecem favorecer a promoção da causa.
2º No caso de o Servo de Deus ter publicado escritos da sua autoria, o Bispo cuide que sejam examinados por censores teólogos.
3º Se nos mesmos escritos nada for encontrado contra a fé e os bons costumes, o Bispo disponha que pessoas idôneas procurem outros escritos inéditos (cartas, diários, etc.), assim como todos os documentos que de qualquer modo dizem respeito à causa. Aquelas, depois de terem cumprido fielmente a sua tarefa, redijam uma relação sobre as investigações realizadas.
4º Se com base em tais resultados o Bispo retiver prudentemente que se possa ir além, cuide que as testemunhas apresentadas sejam interrogadas pelo Postulador e por outros que devem ser chamados ex officio.
No entanto, para que não se percam as provas, se for urgente o exame das testemunhas, sejam estas interrogadas ainda que a recolha dos documentos não tenha sido completada.
5º A investigação sobre presumíveis milagres faça-se separadamente da investigação sobre as virtudes ou sobre o martírio.
6º Terminadas as investigações, sejam todos os autos enviados em duas cópias à Congregação para as Causas dos Santos, bem como uma cópia dos livros do Servo de Deus examinados pelos censores teólogos, juntamente com o respectivo juízo.
O Bispo, além disso, anexe uma declaração acerca da observância do decreto de Urbano VIII sobre a ausência de culto.
JUNTO DA CONGREGAÇÃO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS
3) É múnus da Congregação para as Causas dos Santos, presidida pelo Cardeal Prefeito, ajudado pelo Secretário, tratar de tudo o que se relaciona com a canonização dos Servos de Deus, seja assistindo os Bispos na instrução das causas, aconselhando e instruindo, seja estudando as mesmas com profundidade, seja emanando os votos sobre elas. À mesma Congregação cabe ainda decidir acerca de tudo quanto se refere à autenticidade e à conservação das relíquias.
4) É missão do Secretário:
1º Cuidar das relações com o exterior, principalmente com os Bispos que instruem as causas;
2º Participar nas discussões em torno do mérito das causas, emitindo o seu voto na Congregação dos Padres Cardeais e Bispos;
3º Redigir a relação sobre os votos dos Cardeais e Bispos, a ser entregue ao Sumo Pontífice;
5) No cumprimento da sua missão, o Secretário é coadjuvado pelo Subsecretário, a quem compete principalmente examinar se foram cumpridas as prescrições da lei na instrução das causas. O Secretário é também coadjuvado por um número adequado de oficiais menores.
6) Para o estudo das causas existe junto da Congregação o Colégio dos Relatores, presidido pelo Relator Geral.
7) A cada um dos Relatores compete:
1º Estudar, juntamente com os colaboradores externos, as causas que lhes foram encomendadas e preparar a Positio sobre as virtudes ou sobre o martírio;
2º Preparar por escrito as clarificações históricas, se eventualmente foram pedidas pelos Consultores;
3º Participar como perito no Congresso dos Teólogos, ainda que sem direito a voto;
8) Entre os Relatores existirá um especialmente encarregado do estudo das Positio sobre os milagres, que participa na Consulta dos Médicos e no Congresso dos Teólogos.
9) O Relator Geral, que preside ao Grupo dos Consultores de História, será ajudado por alguns ajudantes de estúdio.
10) Na Congregação para as Causas dos Santos existe um Promotor da Fé ou Prelado teólogo, a quem compete:
1º Presidir ao Congresso dos Teólogos, onde se efectua a votação;
2º Preparar a relação sobre o mesmo Congresso;
3º Participar como perito, mas sem voto, na Congregação dos Padres Cardeais e Bispos.
Em caso de necessidade, para uma ou outra causa, o Cardeal Prefeito poderá nomear um Promotor da fé “ad casum”.
11) Para tratar das causas dos Santos há também Consultores de diversas regiões, peritos em história ou em teologia, especialmente em teologia espiritual.
12) Para o exame das curas que são propostas como milagres, existe junto da Congregação um Colégio de peritos na ciência médica.
13) Depois do Bispo ter enviado para Roma todos os autos e documentos que dizem respeito à causa, proceda-se do seguinte modo na Congregação para as Causas dos Santos:
1º Antes de mais, o Subsecretário verificará se na investigação realizada pelo Bispo foi observado tudo quanto se encontra estabelecido pela lei, após o que apresentará no Congresso ordinário um relatório sobre o êxito deste exame.
2º Se o Congresso julgar que a causa foi instruída segundo a lei, estabelecerá a qual dos relatores se deve confiar a mesma; por sua vez, o Relator, ajudado por um colaborador externo, preparará a Positio sobre as virtudes ou sobre o martírio, segundo as regras da crítica que devem ser observadas na hagiografia.
3º Nas causas antigas e naquelas mais recentes, quando assim for requerido, dada a sua índole particular e a juízo do Relator geral, a Positio publicada será submetida ao exame de consultores particularmente peritos na matéria para que estes votem sobre o seu valor científico, bem como sobre a sua suficiência acerca do seu objecto.
Em casos particulares, a Congregação pode entregar a Positio para que seja estudada por outros peritos não incluídos no elenco dos consultores.
4º A Positio (juntamente com os votos escritos dos consultores históricos e com as novas clarificações do Relator, se estas forem necessárias) será entregue aos Consultores teólogos, que votarão sobre o mérito da causa. Estes, juntamente com o Promotor da Fé, estudarão a Positio de tal forma que, antes de a mesma passar ao Congresso especial, as diversas questões sejam examinadas em profundidade.
5º Os votos definitivos dos consultores teólogos, juntamente com as conclusões redigidas pelo Promotor da Fé, serão submetidas ao juízo dos Cardeais e Bispos.
14) Acerca dos supostos milagres, a Congregação procederá do seguinte modo:
1º Os presumíveis milagres, sobre os quais o Relator encarregado para o efeito prepara uma Positio, são examinados na reunião de peritos (no caso de curas, na reunião de médicos), cujos votos e conclusões serão expressos detalhadamente numa minuciosa relação.
2º Posteriormente, os milagres são discutidos num Congresso especial de teólogos e, por fim, na Congregação dos Padres Cardeais e Bispos.
15) As opiniões dos Padres Cardeais e Bispos são comunicadas ao Santo Padre, a quem compete exclusivamente o direito de decretar o culto público eclesiástico que se pode tributar aos Servos de Deus.
16) Para cada uma das causas de canonização cujo juízo esteja atualmente pendente na Congregação para as Causas dos Santos, esta mesma Congregação, mediante um decreto especial, fixará a forma de proceder no futuro, observando, não obstante, o critério da nova lei.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Por que canonizar uma pessoa?
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| Cristo, fonte e origem da santidade da Igreja |
Também percebendo a íntima união entre a Igreja celeste e a Igreja militante (na terra), os Padres sempre testemunharam a realidade da "Comunhão dos santos": a união dos fiéis aqui na terra, dos já falecidos, em purificação de seus pecados, e dos bem-aventurados. Todos estes formam "uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amo misericordioso de Deus e de seus santos está sempre à escuta de nossas orações" (Catecismo, no. 962).quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Santo Antônio de Santana Galvão
Com vinte e um anos de idade, decide-se a ingressar na Ordem de são Francisco e torna-se noviço, adotando o nome de Antônio Santana, em homenagem à mãe de Nossa Senhora. Em 1761, com vinte e dois anos de idade, faz a profissão solene dos votos, durante a qual fez também o voto de defender a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, uma verdade de fé rejeitada por muitos ainda naquela época, e que só seria declarada como dogma em 1854.
Naquela altura, já tinha fama de santidade e de ser capaz de milagres, gerando uma grande procura pelos doentes. Sem condições de visitar um enfermo, escreveu num pedaço de papel uma frase do Ofício de Nossa Senhora: Post partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis ("Após o parto, ó Virgem, inviolada permanecestes: rogai por nós, Santa Mãe de Deus"). Em seguida, enrolou o papel no formato de uma pílula e deu-o a uma jovem cujas fortes cólicas renais estavam colocando sua vida em risco. Depois que ela tomou a pílula a dor cessou imediatamente e ela expeliu uma grande quantidade de cálculo renal. Em outra ocasião, um homem pediu-lhe ajuda para sua esposa, a qual passava por um parto difícil. O frei enviou-lhe as pílulas de papel, e a criança nasceu rapidamente, sem maiores complicações. A história das pílulas espalhou-se rapidamente e frei Galvão foi obrigado a ensinar às irmãs do Recolhimento como fabricá-las, o que elas fazem até os dias de hoje. Elas são distribuídas gratuitamente para cerca de 300 fiéis diariamente.segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
São Roque Gonzáles e companheiros
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| Nossa Senhora da Conceição, com traços indígenas |
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| Coração de são Roque Gonzáles |
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Santos do Brasil

sábado, 8 de janeiro de 2011
Entrevista de Dom Manoel (III parte)

Terceira parte da entrevista de Dom Manoel Pestana Filho, na qual ele fala sobre sua própria fé, seu relacionamento com outros bispos da época e sobre a teologia da libertação.
“Já tive uma crise de fé”
Luiz Carlos Bordoni — Em algum momento, o senhor chegou a vacilar na fé?
Quando comecei a estudar filosofia, tive uma crise muito forte. E, hoje, estou convencido que a vocação que nunca teve uma crise existencial não é suficientemente sólida. Eu gostava muito de estudar, lia muito e fiquei um pouco assustado. Tive um professor que me disse: “Tenha calma. Quando se estuda o dogma, se perde a fé. Quando se estuda a moral, perde a vergonha”. Depois, tive outra crise — queria ser missionário na China. Mas meu diretor espiritual me disse: “É uma ilusão de juventude”. E não me deixou ir. Como padre, teve uma época que fiquei estatelado. Tenho uma biblioteca em Anápolis. Muita gente vai estudar lá. De repente, vi todas aquelas coisas que eu apreciava serem contestadas de todo lado. Era uma situação angustiante. O próprio dogma, as Sagradas Escrituras... Então, um dia, relendo a história da igreja, vi que ela já foi atacada por todos os lados. Mas venceu e sobreviveu a todos os hereges e até os enterrou maternalmente.
José Maria e Silva — A contestação a que o senhor se refere vinha da teologia da libertação?
Sem dúvida. Mas a causa da nossa diferença com a teologia da libertação não é a questão social. Nessa área ela fez coisas muito boas. O problema é a fundamentação antiteológica da teologia da libertação. Leonardo Boff, em toda a sua obra, destrói, praticamente, todo dogma cristão. Em seu último livro, Igreja, Carisma e Poder, ele passa de vez para uma ecologia da libertação.
Licínio Leal Barbosa — Boff deixou o hábito?
Deixou o hábito, mas não o nome. O nome é importante. O nome é importante... Lamento muito. Boff é um grande talento. A teologia da libertação esvaziou o dogma de tal maneira, que só restou sociologia, psicologia e a guerrilha. Trocaram a fundamentação das Escrituras pelo dogma marxista.
José Maria e Silva — O senhor não acha que o Deus da teologia da libertação está se aproximando muito do Deus-energia do Movimento da Nova Era?
Exatamente. Essa é a fraqueza essencial da teologia da libertação. Chega num ponto em que não há nada mais em que apoiar. Sobra um panteísmo em que todos somos deuses. João Paulo II foi muito feliz quando disse que a maior desgraça do homem moderno foi ter perdido a noção do pecado. Caímos no subjetivismo moderno que faz do homem a medida da verdade.
Euler Belém — A teologia da libertação está na UTI?
De modo algum. A teologia da libertação continua ameaçando os seminários. Há seminários que resumem toda a teologia à obra de Boff. Por favor, os livros de Boff estão todos fora da linha da Igreja. Outro dia, na Venezuela, um seminarista me disse: “Aqui, o único teólogo vivo que nós conhecemos é Boff”. Agora, como o Catecismo da Igreja Católica, se tornou possível ter um norte. Mas fiquei sabendo que há padres que dizem que ele é “um escritorzinho da ala polaca do Vaticano”. Frei Betto diz que não fez teologia para não se enquadrar num sistema. Então, como se pode chamá-lo de teólogo? Alguém pode dizer: “Frei Betto vendeu 2 milhões de exemplares”. Simples: Fidel Castro comprou 1 milhão e 200 mil. Não sei se pagou, mas comprou.
Euler Belém — Qual o grande teólogo brasileiro de uma linha divergente da teologia da libertação?
O padre Bannwarth, que foi reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, tem estudos teológicos interessantíssimos. Infelizmente, ele já morreu.
Licínio Leal Barbosa — Qual é o papel de dom Hélder Câmara na formação do pensamento moderno da Igreja no Brasil?
Dom Hélder foi integralista. Ele projetou a Igreja do Brasil fora do Brasil. Não me agradava a maneira negativa com que ele se referia a todas as coisas do Brasil. Mas foi uma figura importante. Houve um tempo, entre 1965 e 1975, em que os bispos, no Brasil, só eram nomeados depois de passarem por ele.
Licínio Leal Barbosa — Houve uma certa época em que a CNBB parecia ter uma voz divergente em relação ao Vaticano, a um ponto de se falar em Igreja brasileira. Como o senhor avalia isso?
Não vou dar o meu testemunho, porque ele poderia ser suspeito, já que minha posição é muito clara. Vou pegar a opinião de um sacerdote irlandês que foi assessor da CNBB. Não me recordo o nome do livro, nem do autor. Sei que ele diz com todas as letras: “Quando se olha a Igreja do Brasil, logo se descobre os traços de Jesus Cristo. Mas, mudando um pouquinho o ângulo de visão, já não se sabe se é Cristo ou se é Marx”. A Igreja no Brasil já viveu um anti-romanismo muito acentuado. Em reunião de bispo, para se discutir liturgia, já ouvi um dos assessores dizer: “Acho que os bispos do Brasil precisam ter mais coragem e impor sua vontade a Roma”. Mas este anti-romanismo não é a vontade da maioria. Pelo contrário. Ocorre que essa maioria é quase silenciosa. Evidentemente, essa situação mudou. João Paulo II foi tomando as rédeas da Igreja no Brasil, com a nomeação dos bispos. Depois, a queda do Muro de Berlim representou um baque para a teologia da libertação.
Licínio Leal Barbosa — Com relação à Igreja da Holanda pode-se falar em cisma?
Tive uma experiência penosa com um sacerdote holandês. Ele me disse: “Quero uma igreja sem papa e sem bispo”. Sem disciplina, é claro. E não é fácil enfrentar a multidão, a opinião pública, ser apontado como quadrado, cafona... No fundo, o catecismo holandês acaba negando a realidade da eucaristia. Ele foi o germe de todas as doutrinas erradas que surgiram depois. E quando a Santa Sé exigiu a correção daquele catecismo, eles não aceitaram fazer as correções — limitaram-se a colocá-las como um anexo do texto.
Licínio Leal Barbosa — Na Holanda, chegou a se aceitar drogados fumando maconha dentro das igrejas.
Lá, houve o caso de uma igreja em que as pessoas podiam entrar nela com motocicletas. Imagina a maravilha na hora da consagração — uruuummm! (Risos). Isso foi a primeira vez. Da segunda vez, os motoqueiros deixaram as motos dentro da igreja e foram passear lá fora. O padre celebrava a missa para as motocas (Risos). É lamentável, mas perdemos duas gerações de catequese. Essas crianças que foram catequizadas por esses métodos modernos não sabem nada. Peguei um catecismo desses. Falava de Deus uma vez — e era na última página. Essa gente não é cristã coisíssima nenhuma.
Euler Belém — A atuação de dom Antônio aparentemente é muito discreta, se comparada à de dom Fernando, seu antecessor na Arquidiocese de Goiânia. Quais são os méritos dele? Dom Antônio faz bem em fugir da mídia?
São personalidades diferentes. Dom Fernando, um vulcão. Impetuoso, era assim mesmo capaz de pedir perdão a uma flor que suas larvas queimassem. As marcas positivas de sua passagem são evidentes. Dom Antônio, sereno, tímido, busca compor como pode. Hoje, ser bispo não constitui missão fácil. Muitas coisas devem-se resolver ou construir em silêncio. A mídia pode ajudar mas, frequentemente, a busca do sensacional, do fantástico, só atrapalha. Dizia-me uma velhinha lá no litoral norte de São Paulo: “Seu padre, feijão podre é que bóia. O feijão bom fica no fundo”. Quantas vezes descobri que ela tinha razão...
Euler Belém — Com a saída de dom Luciano Mendes de Almeida da CNBB, ela ganhou em substância religiosa e perdeu em militância política, entendem alguns. O que o senhor acha?
Creio, e o disse várias vezes em assembléias, que nos preocupamos demais com militância política e social, não sem algumas vitórias e muito desgaste na área religiosa. Não podemos fugir à responsabilidade política. É o quarto mandamento. Mas correr o risco de identificar-se com partidos que, programaticamente, defendem posições anticristãs, como aborto, esterilização ou contracepção, “casamentos” homossexuais etc., é comprometer a nossa própria natureza e desorientar os fiéis. Nada do que se faz é eficaz sem atingir e formar, cristãmente, a consciência e o coração dos homens. Aí está o essencial da missão da Igreja, sem o quê o resto é resto.
Euler Belém — Alguns dizem que o movimento dos sem-terra não é ideológico: as pessoas estariam apenas em busca de terra para produzir. Outros asseguram que o movimento é ideológico: entre os sem-terra, muitos seriam petistas ou de outras correntes políticas. O objetivo deles seria perturbar a ordem social. Como o senhor avalia a questão?
Uma coisa é a reforma agrária que, cada vez mais, se mostra necessária e urgente, outra coisa é o movimento dos sem-terra. Perguntei certa vez a um bispo responsável pela Pastoral da Terra se era verdade que 80 por cento dos títulos concedidos em Goiás já tinham sido vendidos. Respondeu-me que não podia ser tão preciso, mas o número de tais casos era elevado. Insisti, estranhando que, dessa forma, não ajudávamos para a solução de um problema social, mas fomentávamos a indústria da invasão. Disse-me que eu não estava entendendo nada: podíamos não resolver o problema, mas estávamos desestabilizando o sistema. Protestei. Dessa forma, não servíamos deles para um objetivo político. Isso foi mais ou menos em 1980. Uma coisa é quem puxa os cordéis, outra, os que são levados, de boa fé e até entusiasmo. Em tudo isso, há muitos equívocos e não poucos mistérios. Entretanto, a verdade é que nesses acontecimentos aparece clara a multidão de carentes e empobrecidos que exige de nós grande senso de justiça e a coragem política do bem comum.
Euler Belém — Como o senhor avalia o trabalho pastoral de dom Pedro Casaldáliga e de dom Tomás Balduíno?
Não fui constituído juiz de meus irmãos. Evidentemente, penso que, sem contestar os seus méritos, nunca assumiria algumas de suas atitudes. Alguma coisa mudou, é claro. Entretanto, prefiro privilegiar o sobrenatural da ação da Igreja.














