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sábado, 19 de abril de 2014

A Catedral da mente

Hoje o nosso Salvador arrombou as portas da morte e quebrou os seus ferrolhos. Destruiu as prisões do inferno e derrubou o poder satânico. 



Você pode ou não acreditar nela, mas é inegável que a liturgia feita para comemorar a morte e ressurreição de Jesus alcança, em vários momentos, uma beleza arrebatadora. Talvez o elemento mais tocante seja o que, na Inglaterra medieval, costumava-se chamar de harrowing of Hell – algo como “a vitória sobre o inferno”, que teria acontecido no Sábado de Aleluia. A expressão se refere à tese de que, antes de ressuscitar, Jesus teria experimentado a totalidade do sofrimento humano na hora da morte, descendo ao próprio inferno. E mais: feito um general vitorioso, ele teria arrancado da prisão infernal as almas dos justos, que só podiam chegar ao paraíso com a ajuda de Cristo. Se você é católico, já ouviu essa história, ainda que com outro nome: quando se diz que Jesus “desceu à mansão dos mortos”, trata-se de uma adaptação da expressão original, “desceu aos infernos”.

sábado, 23 de abril de 2011

Rubricas do Tríduo Pascal: Vigília Pascal


  • Esta noite deve se celebrar em honra do Senhor, e esta Vigília é a mãe de todas as Vigílias.
  • A Igreja mantém-se de vigia à espera da Ressurreição do seu Senhor, e celebra-a com os Sacramentos da Iniciação Cristã.
  • A Vigília deve ser celebrada à noite: não deve iniciar antes do anoitecer e deve terminar antes de amanhecer.
Deve-se preparar:
  • O necessário para a celebração da missa ordinária
Para a benção do fogo:
  • Fogueira (em um lugar fora da igreja)
  • O círio pascal
  • Cinco cravos ou grãos de incenso
  • Utensílio para acender o círio (pode ser uma vela)
  • Lâmpada para iluminar os textos
  • Velas para os que participam da Vigília
  • Pinça para tirar brasas do fogo novo para o turíbulo
Para o precônio pascal:
  • Candelabro para o círio pascal, junto ao ambão
Para a liturgia batismal:
  • Recipiente com água (pode ser a própria pia batismal)
  • O que for necessário caso se administrem os sacramentos da iniciação (óleo dos catecúmenos, Santo Crisma, vela batismal, Rituais)
Observações:
  • As luzes da igreja devem estar apagadas
  • A fogueira deve ser realmente visível e iluminar
  • Paramentos de cor branca, com a maior solenidade
  • Não se leva cruz processional
  • As velas do altar permanecem apagadas até o canto do Glória

Benção do fogo e preparação do Círio Pascal

  • Na sacristia ou em outro lugar adequado, o celebrante, diácono e concelebrantes revestem-se de paramentos de cor branca para a Santa Missa.
  • O celebrante, acompanhado por seus auxiliares, dirige-se ao local onde o povo está reunido. À frente, vai um acólito ou ministro com o círio pascal.
    • Não se levam cruz processional ou velas acesas.
    • O turíbulo se leva sem brasas.
  • De pé, diante do povo, o celebrante dá início à celebração e explica com breves palavras o sentido desta celebração, usando as palavras do Missal ou outras semelhantes.
  • Em seguida, o celebrante benze o fogo, dizendo a oração com as mãos estendidas. Terminada a oração, acende o Círio Pascal com o fogo novo, sem dizer nada.
    • O turiferário retira brasas do fogo novo para acender o turíbulo.
  • Depois de benzido o fogo novo, o acólito leva o Círio Pascal ao celebrante que, de pé, grava uma cruz no próprio Círio, e outros símbolos, conforme descrito no Missal.
  • Depois de confeccionado o Círio, o celebrante põe incenso no turíbulo e, se houver diácono, este recebe o Círio Pascal, ou o mesmo é levado pelo próprio celebrante.
  • Organiza-se a procissão que entra na igreja:
    • À frente vai o turiferário, seguido pelo diácono ou pelo celebrante com o círio pascal, os demais assistentes e o povo.
    • À porta da igreja, o diácono para e ergue o Círio e entoa o canto “Eis a luz de Cristo”, e apenas o celebrante acende a sua vela no círio.
    • No meio da igreja, o diácono ou o celebrante canta uma segunda vez, e os fiéis acendem suas velas no círio pascal, passando o lume de uns aos outros.
    • Ao chegar ao altar, o diácono ou o celebrante para e canta um terceira vez, voltado para o povo. Em seguida, coloca o Círio no candelabro para ele preparado, junto ao ambão.
    • Acendem-se as luzes todas da igreja
  • Chegado ao presbitério, o celebrante se dirige para a cadeira presidencial, entrega a sua vela acesa ao diácono e põe incenso no turíbulo, como para o Evangelho da Missa.
    • Se o diácono proclama o Precônio, pede e recebe a benção, conforme descrito no Missal.
  • O diácono ou o celebrante incensa o livro e o círio e canta o Precônio do ambão.
    • Se, por razões pastorais, um cantor proclamar o Precônio pascal, o sacerdote incenso o livro e o círio. O cantor deve omitir a parte das palavras “E vós, que estais aqui” até o fim do convite e a saudação “O Senhor esteja convosco”.

Liturgia da Palavra

  • Terminado o Precônio pascal, todos apagam as velas e sentam-se.
  • Antes das leituras iniciarem-se, o celebrante ou o diácono faz breve monição, com as palavras que vêm no Missal ou outras semelhantes.
  • São propostas nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas do Novo (Epístola e Evangelho).
    • Por razões pastorais, podem-se reduzir o número de leituras do Antigo Testamento, de modo a que sejam no mínimo quatro e não se omita a leitura do capítulo 14 do Êxodo.
  • Após cada leitura, segue-se o seu salmo e a oração do “Oremos”, a qual deve ser feita sempre de pé.
  • Após a última leitura do Antigo Testamento, com seu responsório e oração, entoa-se solenemente o hino “Glória a Deus nas alturas”, enquanto se acende as velas do altar e se tocam os sinos.
  • Após o Glória, reza-se a oração coleta e se proclama a leitura da Epístola, enquanto todos se sentam.
  • Terminada a epístola, o diácono ou um leitor pode dirigir-se ao celebrante e dizer-lhe: “Reverendo Padre, eu vos anuncio uma grande alegria: o Aleluia”. Após este anúncio, ou mesmo sem ele, todos se levantam. O celebrante entoa solenemente o aleluia, por três vezes, subindo gradualmente de tom, e o povo repete-o no mesmo tom.
  • O salmista ou cantor recita o salmo, e o povo responde com aleluias.
  • O celebrante põe incenso no turíbulo e dá a benção ao diácono, como de costume.
  • Não se levam velas para a proclamação do Evangelho.
  • Após o Evangelho, faz-se a homilia.

Liturgia Batismal

  • A Liturgia Batismal pode se efetuar no próprio batistério, caso o mesmo seja visível aos fiéis. Caso contrário, coloque-se o recipiente com água no próprio presbitério.
  • Se houver batismo, faz-se a chamada e a apresentação dos catecúmenos, apresentados pelos padrinhos, caso sejam crianças.
  • O celebrante faz a exortação ao povo, conforme haja ou não batismo.
  • Entoa-se em seguida a ladainha.
    • Se a distância ao batistério é grande, a ladainha se canta durante a procissão, a qual é precedida pelo Círio pascal, seguido pelos catecúmenos com seus padrinhos e pelos celebrante e seus auxiliares.
    • Se não houver batismo nem benção da água batismal, omite-se a ladainha e procede-se à benção da água.
    • A ladainha se faz de pé, por ser tempo pascal.
  • Terminada a ladainha, se houver batismo, o celebrante, de mãos unidas, diz a oração indicada no Missal.
    • Caso não haja batismo, segue diretamente à benção da água batismal.
  • Durante a benção da água batismal, no momento indicado, se for oportuno, o celebrante imerge o círio uma ou três vezes na água, conforme indicado no missal.
  • Se houver batismo, segue-se a renúncia ao demônio, a profissão de fé e o Batismo.
  • Se não houver batismo ou mesmo após este, o celebrante recebe abençoa a água para aspersão dos fiéis e recebe a renovação das promessas batismais dos fiéis, que se conservam de pé, com as velas acesas nas mãos.
  • Terminada a renovação das promessas batismais, o celebrante asperge o povo com a água benta.
    • Se houver neófitos (batizados), estes são conduzidos para tomar seu lugar entre o povo.
    • Se a benção da água batismal tiver sido feita fora do batistério, o diácono e alguns assistentes a conduzem à pia batismal.
  • Após a aspersão dos fiéis, omite-se o Credo, e o celebrante prossegue com a Oração Universal.

Liturgia Eucarística

  • Segue-se a Liturgia Eucarística, como no Ordinário.
  • Podem se fazer menção dos batizados segundo as fórmulas do Missal e do Ritual.
  • Antes da Comunhão, pode se fazer breve monição aos que receberão a Iniciação.

Ritos finais

  • À fórmula habitual de despedida dos fiéis (“Ide em paz”), acrescenta-se um duplo Aleluia, e o mesmo fazem os fiéis na resposta.
  • O Tríduo Pascal encerra-se nas Segundas Vésperas do Domingo da Páscoa.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Rubricas do Tríduo Pascal: Celebração da Paixão do Senhor


  • Neste dia, “Cristo nossa Páscoa foi imolado” (ICor 5,7). Pela sua morte, Cristo, “morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando restaura nossa vida”.
  • A Igreja comemora seu próprio nascimento e sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo.
  • A Paixão do Senhor celebra-se às três horas, salvo razões pastorais, mas não depois das 21 horas.
Deve-se preparar:
  • O Altar deve estar desnudo, sem cruz, castiçais nem toalhas
  • As cruzes da igreja devem ser retiradas ou cobertas
  • Paramentos para os celebrantes de cor vermelha
Em lugar apropriado:
  • A cruz, talvez coberta com o véu caso se adote a primeira forma
  • Dois castiçais
No presbitério:
  • Missal
  • Lecionário (no ambão)
  • Toalhas dobradas para o altar
  • Corporal
  • Lavabo + manustérgio
  • Galheta com água
Na capela de reposição:
  • Véu umeral vermelho ou branco para o diácono ou o celebrante
  • Dois castiçais
Rito

Ritos Introdutórios

  • O celebrante e seus assistentes, revestidos de cor vermelha como para a Missa, dirigem-se com os assistentes para o altar.
  • Feita a devida reverência, o celebrante e o diácono prostram-se com o rosto por terra ou ajoelham-se e rezam alguns instantes, em silêncio. Os demais também rezam um momento em silêncio.
  • O celebrante dirige-se à cadeira presidencial e reza, de mãos estendidas, a oração: “Ó Deus, pela Paixão”. Em seguida, sentam-se todos.

Liturgia da Palavra

  • Segue-se a Leitura de Isaías, seu salmo e a Segunda Leitura.
  • O diácono que lê recebe a benção como de costume.
    • Entoa-se o canto antes da Leitura da Paixão.
    • Não se usam incenso ou velas para a leitura da Paixão.
    • Omite-se a saudação ao povo e o sinal da cruz sobre o livro.
    • Depois do anúncio da morte do Senhor, todos se ajoelham e faz-se breve pausa.
    • Diz-se “Palavra do Senhor” ao fim da leitura, mas não se beija o livro.
  • Segue-se a homilia.
  • Recitam-se as orações universais após a homilia.
    • As fórmulas invitatórias podem ser proferidas pelo diácono do ambão.
    • Os fiéis permanecem de joelhos ou de pé, segundo o costume.

Adoração da Santa Cruz

Primeira forma de apresentação da Santa Cruz:
    • A Cruz é levada pelo diácono ao altar, estando coberta, e acompanhada por duas velas acesas.
    • O celebrante recebe a cruz e vai descobrindo-a, entoando três vezes: Eis o lenho da Cruz, convidando os fiéis a adorá-la.
    • Terminado o canto, todos se ajoelham e adoram em silêncio durante breves momentos, enquanto o celebrante a sustenta levantada.
    • A cruz é levada para a entrada do presbitério, ladeada por duas velas acesas.
Segunda forma de apresentação da Santa Cruz:
    • Enquanto o celebrante permanece de pé no presbitério, o diácono, ou, na falta deste, o próprio celebrante, acompanhado por velas, dirige-se para a porta da igreja, onde recebe a cruz descoberta.
    • Junto à porta, no meio da igreja e à entrada do presbitério, o diácno eleva a cruz e convida a adorá-la, com o canto Eis o lenho da Cruz.
    • Depois de cada resposta, todos se ajoelham e adoram breve momento.
    • Em seguida, o diácono coloca a cruz à entrada do presbitério, ladeada por velas acesas.
  • Segue-se a adoração da Cruz
    • Vai primeiro o celebrante, sem casula e, se lhe parecer bem, sem sapatos. Ajoelha-se diante da Cruz, beija-a e retira-se para a cadeira presidencial, retoma o calçado e a casula e senta-se.
    • Seguem-se o diácono, os assistentes e os fiéis.
    • A saudação à cruz pode ser uma simples genuflexão, um beijo ou outro sinal adequado.
    • A cruz deve ser uma só. Caso seja muito grande a afluência de fiéis, após a adoração do celebrante, do diácono e de parte do povo, o celebrante toma a cruz, e, do estrado do altar, convida o povo à adoração e sustenta-a levantada por algum tempo, e os fiéis adoram-na em silêncio.
    • Há indulgência plenária aos que beijam a Cruz nesta ocasião, observadas as exigências devidas.

Rito da Comunhão

  • Terminada a adoração, a Cruz é levada ao seu lugar no altar, e os castiçais acesos são postos junto ao altar ou perto da cruz.
  • Estende-se a toalha sobre o altar, e colocam-se o corporal e o missal.
  • O diácono ou, na falta deste, o próprio celebrante traz o Santíssimo Sacramento da capela de reposição, com dois castiçais ladeando-o, pelo caminho mais curto, sem solenidade.
    • Os castiçais colocam-se junto ao altar ou sobre ele.
    • Enquanto isso, todos permanecem em silêncio.
  • Quando o diácono ou o próprio celebrante colocar o Santíssimo Sacramento sobre o altar e descobrir a âmbula, o celebrante faz a genuflexão.
  • Seguem-se a oração dominical (Pai-Nosso) e seu embolismo, segundo o Missal.
  • Logo após, distribui-se a comunhão, como de costume.
  • Terminada a distribuição, o diácono ou o celebrante, com o véu deombros, leva as reservas eucarísticas restantes para o lugar apropriado fora da igreja.
    • Caso isso não seja possível, coloquem-se as reservas eucarísticas no próprio sacrário.
  • Convém reservar algum tempo em silêncio, após o qual se recita a oração após a Comunhão.

Rito de Conclusão

  • Terminada a oração depois da comunhão, segue-se a despedida.
    • O celebrante, de pé, volta-se para o povo recita a oração: “Que a vossa benção”.
  • O celebrante genuflete à cruz e todos se retiram em silêncio.
  • Em tempo oportuno, desnuda-se o altar.

domingo, 17 de abril de 2011

Rubricas do Tríduo Pascal: Missa da Ceia do Senhor



  • Esta Missa dá início ao Tríduo Pascal.

  • Propõe-se comemorar aquela última Ceia na qual o Senhor amou até o fim os seus e ofereceu ao Pai o seu Corpo e o Sangue e mandou aos seus apóstolos que os oferecessem também.
  • Nesta Missa se faz memória:
    • Da Instituição da Eucaristia
    • Da instituição do sacerdócio
    • Do amor com que Jesus nos amou até a morte.
Deve-se preparar:
  • O que é necessário para a missa ordinária
No presbitério:
  • Âmbula com hóstias para comunhões do dia seguinte
  • Véu umeral
  • Tochas e velas
No lugar do lava-pés:
  • Assentos para os homens designados
  • Jarro com bacia e água
  • Toalha para enxugar os pés
  • O necessário para lavar as mãos (jarro com água e bacia, sabonete, manustérgio)
Na capela de reposição:
  • Flores e outros objetos para ornamentação
  • Sacrário para reposição
Rito

Ritos iniciais

  • A Missa segue-se como no Ordinário.
  • Entoa-se o hino do Glória, durante o qual tocam-se os sinos, que se calam após este toque até a Vigília Pascal.

Liturgia da Palavra

  • Liturgia da Palavra como no ordinário.
  • Terminada a homilia, procede-se ao Lava-pés.
    • Os homens escolhidos são conduzidos ao lugar preparado.
    • O celebrante depõe a casula e cinge-se com a toalha ou, caso haja, com o gremial.
    • O celebrante aproxima-se de cada um dos escolhidos e derrama água sobre seus pés,e enxuga-os, com auxílio do diácono.
    • Depois do lava-pés, o celebrante lava as mãos, reveste a casula e volta à cadeira presidencial.
  • Não se recita o Credo, seguindo-se imediatamente a oração universal.

Oração Eucarística

  • Para a Procissão das Oferendas, pode-se organizar uma procissão de fiéis com dádivas para os pobres (alimentos, roupas ou outros).
    • Também pode-se entrar com os óleos consagrados na Missa do Crisma.
  • Da preparação das ofertas até a Comunhão, procede-se como no Ordinário.
    • Não se tocam os sinos na Consagração.

Transladação do Santíssimo Sacramento

  • Os ritos finais serão omitidos.
  • Após a comunhão, as reservas eucarísticas são deixadas sobre o altar e reza-se a Oração após a Comunhão.
  • Após esta oração, o celebrante, de pé diante do altar, põe incenso no turíbulo e benze-o. ajoelhando-se incensa o Santíssimo Sacramento.
    • Em seguida, o celebrante recebe o véu de ombros, sobe ao altar, genuflete e, ajudado pelo diácono ou por outro ministro idôneo, recebe as âmbulas nas mãos, cobertas com as extremidades do véu.
  • Organiza-se a procissão através da igreja até o lugar de reposição, seguindo-se pelo caminho mais curto.
    • À frente vai a cruz, ladeada por velas acesas.
    • Seguem o diácono e concelebrantes.
    • Turiferário com turíbulo fumegante
    • O celebrante com o Santíssimo Sacramento, ladeado por velas.
    • Demais assistentes e fiéis.
  • Chegado ao lugar de reposição, o celebrante depõe a âmbula no altar ou no Sacrário, deixando a porta aberta.
    • Entoa-se o Tão sublime, enquanto o Santíssimo Sacramento é incensado pelo celebrante, de joelhos. Em seguida, introduz-se o Santíssimo no sacrário ou fecha-se a porta.
    • Após breve oração, todos se retiram em silêncio para a sacristia.
  • Em momento oportuno, o Altar deve ser desnudo e as cruzes da igreja devem ser retiradas ou cobertas.
  • As luzes do sacrário vazio devem ser apagadas.
  • Após a meia-noite, a adoração deve ser feita sem solenidade, e, se possível, em silêncio.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O processo de canonização

O processo de canonização compõe-se de três fases distintas. A primeira fase é a fase diocesano, porque é realizada na própria Diocese onde a pessoa viveu ou morreu.

Canonização de Sta.
Maria Goretti, tida
como uma das mais
emocionantes da
história
O bispo diocesano, de livre vontade ou pelo pedido dos fiéis, deve iniciar a investigação sobre a vida, as virtudes, o martírio e a fama de santidade da pessoa em questão. Após instaurar esse processo, a pessoa é declarada Serva de Deus, mas o seu culto e devoção públicos são ainda proibidos. Deve nomear para isso um postulador, o qual deve investigar com bastante profundidade e cuidado a vida da pessoa e os motivos pelos quais tal personagem poderia vir a ser declarado santo para toda a Igreja. Deve também analisar com zelo, auxiliado se necessário por uma equipe de teólogos, os escritos de sua autoria, incluindo cartas ou outros inéditos e fora do conhecimento comum, verificando a conformidade com a fé e a moral católicas. Devem ser ouvidas também testemunhas (se ainda as houver), e proceder uma investigação separada sobre os possíveis milagres. Terminadas as investigações, o bispo deve encaminhar duas cópias dos processos, os escritos e a opinião dos teólogos à Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano.

A segunda fase é chamada fase romana, pois se dá em Roma, e pode culminar com a beatificação. a responsabilidade é agora da Congregação para a Causa dos Santos. Presidida pelo Presidente, auxiliado por um secretário, auxiliado pelos subsecretários, estes verificam se a investigação procedida na  Diocese foi realizada segundo as normas da Igreja, e, em caso positivo, encaminham o processo do Servo de Deus a um Colégio de Relatores, os quais estudam o processo em questão, segundo as circunstâncias teológicas, históricas e outras, e preparam um documento, chamado Positio, sobre as virtudes e o martírio.

Após elaborada a Positio, essa é apresentada a peritos, os quais examinam sua precisão histórica e científica, após o que é apresentada a uma comissão de teólogos, encarregados de examiná-la com profundidade.

Enquanto isso, os milagres realizados após a morte do Servo de Deus e atribuídos a sua intercessão são examinados por outra equipe de peritos (incluindo médicos, em caso de curas), a qual se encarrega de elaborar uma minuciosa relação sobre os mesmos. Depois, são discutidos por uma comissão de teólogos e na Congregação dos Cardeais e Bispos.

Canonização de frei Galvão, em
São Paulo
Tanto a Positio quanto a relação sobre os milagres são apresentadas à Congregação dos Cardeais e Bispos, os quais deliberam sobre o processo. Caso o considerem válido e realmente claro as virtudes ou o martírio e os milagres atribuídos ao Servo de Deus, os Cardeais apresentam a causa ao Santo Padre, a quem compete o culto público. Após o reconhecimento da vivência heróica das virtudes ou da constatação de martírio, é marcada a cerimônia de beatificação, a ser celebrada pelo próprio Papa ou por um cardeal para isso delegado. O servo de Deus passa a se chamar, então, Bem-aventurado ou Beato.

A fase diocesana de uma canonização só pode ser iniciada cinco anos após a morte da pessoa em questão, salvo a dispensa do Papa, como ocorreu com João Paulo II. A beatificação não obriga a todos os fiéis aceitarem o culto a um determinado santo, mas o restringe a uma determinada Diocese ou região. O processo de canonização, que seria a terceira parte, é bastante semelhante à segunda parte, mas obriga em força de fé a acreditar que tal pessoa se encontra no céu e a cerimônia é presidida normalmente pelo Papa. Após a canonização, o beato é declarado santo e seu culto adquire caráter universal.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Homilia do Papa Bento XVI na canonização de Frei Galvão

VIAGEM APOSTÓLICA
DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
AO BRASIL POR OCASIÃO DA V CONFERÊNCIA GERAL
 DO EPISCOPADO DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE
SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO
DE FREI ANTÔNIO DE SANT'ANNA GALVÃO, OFM
HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
Aeroporto "Campo de Marte", São Paulo
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,
«Bendirei continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará meus lábios» [Sl 33,2]
1. Alegremos-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado no Santo Sacrifício do Altar.
Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.
Quero agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, que foi a voz de todos vós, e a atenção do seu predecessor, o Cardeal Cláudio Hummes, que com tanto esmero empenhou-se pela causa do Frei Galvão. Agradeço a presença de cada um e de cada uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos de outras cidades e nações. Alegro-me que através dos meios de comunicação, minhas palavras e as expressões do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham certeza: o Papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama.
Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: «Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos» (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece.
Saúdo com afeto, a toda a comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.
2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.
Deus vem ao nosso encontro, "procura conquistar-nos - até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente" (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença.
Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em "laus perennis", em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado grave.
3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena Maria, que foi a primeira "recolhida" destinada a dar início ao "Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição", testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: "Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram". Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências.
4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século XVIII, definindo Frei Galvão como "homem de paz e de caridade". Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amo». Mas logo a seguir acrescenta: que «deis fruto e o vosso fruto permaneça» (cf. Jo 15, 12.16). E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?
A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.
Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.
Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá como tema básico: "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida". Como não ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina está chamada a enfrentar?
5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt 11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige. Como não ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno, de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão, assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador. Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.
De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.
Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração da sua castidade: "tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor". São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.
É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima, quando invocarmos proteção e auxílio à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados para a vida religiosa.
6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de Oração de Marienfeld na Alemanha: diante de uma multidão de jovens, quis definir os santos da nossa época como verdadeiros reformadores. E acrescentava: "só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo" (Homilia, 20/08/2005). Este é o convite que faço hoje a todos vós, do primeiro ao último, nesta imensa Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo» (Lv 11,44). Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com a fé é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, como também necessária a santidade, cada qual no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Liturgia e Rito


O QUE É A LITURGIA?

A liturgia é a ação sagrada por excelência. É uma ação divina, realizada “por Cristo, com Cristo e em Cristo”: é uma ação da Igreja que estabelece a ligação com Deus por meio de Jesus.

A liturgia se dá por meio de ritos, os quais são percebidos pelos sentidos e remetem a seu significado. Por meio dos sacramentos, uma realidade que pode ser sentida humanamente e revela uma realidade superior e espiritual, conferindo a graça de Deus.

A Liturgia é celebrada pelo próprio Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, quem exerce uma mediação entre nós e o Pai (Cf. Hb 5, 1-14). É Ele quem age na Igreja, em proveito da Igreja. E também é a Igreja quem atua, e é por meio da ação dela que a ação de Cristo se atualiza e se faz presente. Ou seja, a Igreja é o instrumento pelo qual Cristo age no mundo.

O fim de todo ato litúrgico é a glorificação de Deus, ou seja, louvá-lo e adorá-lo. A principal forma de glorificar a Deus de que o homem é capaz é buscar a sua própria santificação (que é a união com Deus), e a Liturgia também oferece meios para aproximar o homem de Deus, santificando-o, fazendo-o buscar a Deus e amá-lo.
A CELEBRAÇÃO

Um ato litúrgico, como a Santa Missa, não é uma repetição, mas uma celebração. Apesar de haver Missas todos os dias, em todos os países do mundo, em todos os momentos, nenhum padre repete a Santa Missa, mas a celebra.

Para que haja uma celebração, são necessários três elementos: um fato que é lembrado e comemorado, um rito que se realiza e a comunicação de sentimento entre as pessoas que participam no evento que ocorre.

Para se entender o que é celebração, é bom imaginar uma festa de aniversário de um ano de uma criança: o que se celebra na festa é o fato que ocorreu de um nascimento e da vida de uma criança que se conservou por um ano. Este fato é invocado, lembrado, narrado e divulgado entre os presentes. É considerado como uma coisa muito boa, caso contrário, não seria lembrado.

Na festa de aniversário, também ocorre um rito: se cantam os parabéns, reúnem-se os amigos, enfeita-se as casa com balões, acendem-se velas em um bolo, sempre do mesmo modo, como fazem outros pais de outras crianças... Chato? Não! Um rito é um conjunto de símbolos que expressam uma coisa, mas que aparece sempre como uma novidade.

Por outro lado, quem participa da festa de uma criança se une na alegria de sua pessoa, em sua alegria, ainda que a criança não entenda o que está acontecendo.

Da mesma maneira, fazer arroz: sempre se precisa lavar o arroz, escorrê-lo, fritá-lo, refogá-lo, deixá-lo cozinhar até dar o ponto certo. Contudo, sempre é um arroz novo, e não o mesmo arroz que se prepara a cada dia

Muito mais a ação de Jesus, a sua vida e a salvação que Ele nos deu é que é celebrada. E não é algo chato e repetitivo, mas é algo sempre novo.

Fonte: Apostila de Acólitos (2008), Rodrigo Demetrio

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tempo Litúrgico

Cristo, Senhor do Tempo e da História


O tempo constitui uma experiência muito forte para o homem. Ele é fortemente marcado pelo tempo: nasce, cresce, se desenvolve sempre. Nunca consegue parar o tempo. Nasce como um bebê, engatinha, põe-se de pé e aprende a andar. Cresce, desenvolve-se na infância, logo chega à adolescência, torna-se adulto e, não demora, começam os sinais do tempo. Por fim, o homem volta à terra de onde saiu.

Durante sua vida, o homem experimenta diversas passagens. A primeira é a de gerações e de indivíduos por esta vida. Depois, a passagem dos dias e dos anos: o tempo solar. Também a passagem de ciclos da lua, marcando as semanas e os meses. Também pela alternância de dia e noite, trevas e luz, manhã e tarde.

Cristo é o Senhor do tempo: Ele nasceu e cresceu como nós. Chegou à idade adulta e morreu. Enfrentou as grandes angústias humanas, em especial a experiência da morte. Mas Ele a venceu, e promete que, com Ele, também a venceremos e penetraremos na eternidade, onde não há tempo.

A Liturgia se realiza segundo diversos tempos.

Medalha comemorativa do grande Jubileu do ano 2000
Tempo das gerações: é marcado principalmente pelos jubileus, quando a Igreja celebra ação de graças por um período de tempo determinado, normalmente a cada cinquenta anos. Também há a celebração dos centenários, dos milênios.

Tempo da vida: a Liturgia também se faz presente nos diversos momentos da vida, por meio da celebração dos Sacramentos, que celebram a vida, a maturidade, o amor conjugal, a morte.
Tempo solar: é a experiência de ano vivido no Ano Litúrgico. A Igreja relembra o mistério de Cristo, de sua Encarnação e Natividade até sua Ascensão, o dia de Pentecostes e a espera da vinda de Jesus. Relembrando os mistérios da vida do Salvador, distribui aos fiéis as riquezas do poder santificador e dos méritos de Cristo, de sorte que os torna presente novamente, para que os fiéis entrem em contato com eles e sejam repletos da graça da salvação.

O tempo Litúrgico se organiza em torno de duas celebrações principais, o Natal e o Tríduo Pascal, o período de preparação (Advento e Quaresma) e a comemoração que lhes é posterior (Tempo do Natal e Tempo da Páscoa) e pelo Tempo Comum (que celebra a caminhada do povo rumo a Deus até a segunda volta do Salvador).

O tempo
Tempo lunar: na experiência das passagens do tempo lunar, as semanas, a Igreja celebra a Páscoa do Senhor no primeiro dia da semana, o Dia do Senhor, o Domingo. Neste dia, os cristãos se reúnem para ouvir a Palavra de Deus e celebrar a Eucaristia, se lembrarem da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor e darem graças a Deus que os salvou. O Domingo é o dia de festa primordial que deve ser sempre lembrado com grande respeito, como dia de alegria e descanso.

Tempo diário: a cada dia se faz uma experiência de passagem de trevas para luz e de luz para as trevas, de noite para o dia e de dia para a noite. Nesta experiência diária, a Liturgia propõe a celebração do mistério pascal da Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição de Cristo. Isso é expresso na Liturgia das Horas, pelo louvor Matutino, na hora chamada Laudes, onde se celebra a ressurreição de Jesus e a vida nova dos cristãos em Cristo; e na hora vespertina, chamada Vésperas, onde se recorda a doação de Cristo na Cruz, a Eucaristia, o sacerdócio e o dom da Igreja. Nas outras horas menores, recorda os passos da paixão de Jesus e os mistérios da Igreja.

Eucaristia: é celebrada no tempo, mas não está vinculada ao tempo, pois é sempre atualização de um fato histórico, mas presente na eternidade. Todas as experiências do tempo podem ser celebradas pela Eucaristia: os tempos das gerações, os tempos da vida, dos anos, das semanas e dos dias.

Fonte: Apostila de coroinhas, Rodrigo Demetrio