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sábado, 19 de abril de 2014

A Catedral da mente

Hoje o nosso Salvador arrombou as portas da morte e quebrou os seus ferrolhos. Destruiu as prisões do inferno e derrubou o poder satânico. 



Você pode ou não acreditar nela, mas é inegável que a liturgia feita para comemorar a morte e ressurreição de Jesus alcança, em vários momentos, uma beleza arrebatadora. Talvez o elemento mais tocante seja o que, na Inglaterra medieval, costumava-se chamar de harrowing of Hell – algo como “a vitória sobre o inferno”, que teria acontecido no Sábado de Aleluia. A expressão se refere à tese de que, antes de ressuscitar, Jesus teria experimentado a totalidade do sofrimento humano na hora da morte, descendo ao próprio inferno. E mais: feito um general vitorioso, ele teria arrancado da prisão infernal as almas dos justos, que só podiam chegar ao paraíso com a ajuda de Cristo. Se você é católico, já ouviu essa história, ainda que com outro nome: quando se diz que Jesus “desceu à mansão dos mortos”, trata-se de uma adaptação da expressão original, “desceu aos infernos”.

sábado, 23 de abril de 2011

Rubricas do Tríduo Pascal: Vigília Pascal


  • Esta noite deve se celebrar em honra do Senhor, e esta Vigília é a mãe de todas as Vigílias.
  • A Igreja mantém-se de vigia à espera da Ressurreição do seu Senhor, e celebra-a com os Sacramentos da Iniciação Cristã.
  • A Vigília deve ser celebrada à noite: não deve iniciar antes do anoitecer e deve terminar antes de amanhecer.
Deve-se preparar:
  • O necessário para a celebração da missa ordinária
Para a benção do fogo:
  • Fogueira (em um lugar fora da igreja)
  • O círio pascal
  • Cinco cravos ou grãos de incenso
  • Utensílio para acender o círio (pode ser uma vela)
  • Lâmpada para iluminar os textos
  • Velas para os que participam da Vigília
  • Pinça para tirar brasas do fogo novo para o turíbulo
Para o precônio pascal:
  • Candelabro para o círio pascal, junto ao ambão
Para a liturgia batismal:
  • Recipiente com água (pode ser a própria pia batismal)
  • O que for necessário caso se administrem os sacramentos da iniciação (óleo dos catecúmenos, Santo Crisma, vela batismal, Rituais)
Observações:
  • As luzes da igreja devem estar apagadas
  • A fogueira deve ser realmente visível e iluminar
  • Paramentos de cor branca, com a maior solenidade
  • Não se leva cruz processional
  • As velas do altar permanecem apagadas até o canto do Glória

Benção do fogo e preparação do Círio Pascal

  • Na sacristia ou em outro lugar adequado, o celebrante, diácono e concelebrantes revestem-se de paramentos de cor branca para a Santa Missa.
  • O celebrante, acompanhado por seus auxiliares, dirige-se ao local onde o povo está reunido. À frente, vai um acólito ou ministro com o círio pascal.
    • Não se levam cruz processional ou velas acesas.
    • O turíbulo se leva sem brasas.
  • De pé, diante do povo, o celebrante dá início à celebração e explica com breves palavras o sentido desta celebração, usando as palavras do Missal ou outras semelhantes.
  • Em seguida, o celebrante benze o fogo, dizendo a oração com as mãos estendidas. Terminada a oração, acende o Círio Pascal com o fogo novo, sem dizer nada.
    • O turiferário retira brasas do fogo novo para acender o turíbulo.
  • Depois de benzido o fogo novo, o acólito leva o Círio Pascal ao celebrante que, de pé, grava uma cruz no próprio Círio, e outros símbolos, conforme descrito no Missal.
  • Depois de confeccionado o Círio, o celebrante põe incenso no turíbulo e, se houver diácono, este recebe o Círio Pascal, ou o mesmo é levado pelo próprio celebrante.
  • Organiza-se a procissão que entra na igreja:
    • À frente vai o turiferário, seguido pelo diácono ou pelo celebrante com o círio pascal, os demais assistentes e o povo.
    • À porta da igreja, o diácono para e ergue o Círio e entoa o canto “Eis a luz de Cristo”, e apenas o celebrante acende a sua vela no círio.
    • No meio da igreja, o diácono ou o celebrante canta uma segunda vez, e os fiéis acendem suas velas no círio pascal, passando o lume de uns aos outros.
    • Ao chegar ao altar, o diácono ou o celebrante para e canta um terceira vez, voltado para o povo. Em seguida, coloca o Círio no candelabro para ele preparado, junto ao ambão.
    • Acendem-se as luzes todas da igreja
  • Chegado ao presbitério, o celebrante se dirige para a cadeira presidencial, entrega a sua vela acesa ao diácono e põe incenso no turíbulo, como para o Evangelho da Missa.
    • Se o diácono proclama o Precônio, pede e recebe a benção, conforme descrito no Missal.
  • O diácono ou o celebrante incensa o livro e o círio e canta o Precônio do ambão.
    • Se, por razões pastorais, um cantor proclamar o Precônio pascal, o sacerdote incenso o livro e o círio. O cantor deve omitir a parte das palavras “E vós, que estais aqui” até o fim do convite e a saudação “O Senhor esteja convosco”.

Liturgia da Palavra

  • Terminado o Precônio pascal, todos apagam as velas e sentam-se.
  • Antes das leituras iniciarem-se, o celebrante ou o diácono faz breve monição, com as palavras que vêm no Missal ou outras semelhantes.
  • São propostas nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas do Novo (Epístola e Evangelho).
    • Por razões pastorais, podem-se reduzir o número de leituras do Antigo Testamento, de modo a que sejam no mínimo quatro e não se omita a leitura do capítulo 14 do Êxodo.
  • Após cada leitura, segue-se o seu salmo e a oração do “Oremos”, a qual deve ser feita sempre de pé.
  • Após a última leitura do Antigo Testamento, com seu responsório e oração, entoa-se solenemente o hino “Glória a Deus nas alturas”, enquanto se acende as velas do altar e se tocam os sinos.
  • Após o Glória, reza-se a oração coleta e se proclama a leitura da Epístola, enquanto todos se sentam.
  • Terminada a epístola, o diácono ou um leitor pode dirigir-se ao celebrante e dizer-lhe: “Reverendo Padre, eu vos anuncio uma grande alegria: o Aleluia”. Após este anúncio, ou mesmo sem ele, todos se levantam. O celebrante entoa solenemente o aleluia, por três vezes, subindo gradualmente de tom, e o povo repete-o no mesmo tom.
  • O salmista ou cantor recita o salmo, e o povo responde com aleluias.
  • O celebrante põe incenso no turíbulo e dá a benção ao diácono, como de costume.
  • Não se levam velas para a proclamação do Evangelho.
  • Após o Evangelho, faz-se a homilia.

Liturgia Batismal

  • A Liturgia Batismal pode se efetuar no próprio batistério, caso o mesmo seja visível aos fiéis. Caso contrário, coloque-se o recipiente com água no próprio presbitério.
  • Se houver batismo, faz-se a chamada e a apresentação dos catecúmenos, apresentados pelos padrinhos, caso sejam crianças.
  • O celebrante faz a exortação ao povo, conforme haja ou não batismo.
  • Entoa-se em seguida a ladainha.
    • Se a distância ao batistério é grande, a ladainha se canta durante a procissão, a qual é precedida pelo Círio pascal, seguido pelos catecúmenos com seus padrinhos e pelos celebrante e seus auxiliares.
    • Se não houver batismo nem benção da água batismal, omite-se a ladainha e procede-se à benção da água.
    • A ladainha se faz de pé, por ser tempo pascal.
  • Terminada a ladainha, se houver batismo, o celebrante, de mãos unidas, diz a oração indicada no Missal.
    • Caso não haja batismo, segue diretamente à benção da água batismal.
  • Durante a benção da água batismal, no momento indicado, se for oportuno, o celebrante imerge o círio uma ou três vezes na água, conforme indicado no missal.
  • Se houver batismo, segue-se a renúncia ao demônio, a profissão de fé e o Batismo.
  • Se não houver batismo ou mesmo após este, o celebrante recebe abençoa a água para aspersão dos fiéis e recebe a renovação das promessas batismais dos fiéis, que se conservam de pé, com as velas acesas nas mãos.
  • Terminada a renovação das promessas batismais, o celebrante asperge o povo com a água benta.
    • Se houver neófitos (batizados), estes são conduzidos para tomar seu lugar entre o povo.
    • Se a benção da água batismal tiver sido feita fora do batistério, o diácono e alguns assistentes a conduzem à pia batismal.
  • Após a aspersão dos fiéis, omite-se o Credo, e o celebrante prossegue com a Oração Universal.

Liturgia Eucarística

  • Segue-se a Liturgia Eucarística, como no Ordinário.
  • Podem se fazer menção dos batizados segundo as fórmulas do Missal e do Ritual.
  • Antes da Comunhão, pode se fazer breve monição aos que receberão a Iniciação.

Ritos finais

  • À fórmula habitual de despedida dos fiéis (“Ide em paz”), acrescenta-se um duplo Aleluia, e o mesmo fazem os fiéis na resposta.
  • O Tríduo Pascal encerra-se nas Segundas Vésperas do Domingo da Páscoa.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cronologia da Semana Santa: Terça-feira Santa (11 de Nisã)

Para os judeus, o dia 11 de Nisã é o dia da escolha do cordeiro pascal (Ex 12, 3). É no contexto desse dia que se pode inserir a traição de Judas (Mt 26,14; Mc 14, 10-11; Lc 22, 3-6). Assim, é no décimo primeiro dia que os chefes dos sacerdotes "escolhem" o seu cordeiro sem defeito, para o sacrifício pascal.

Terça-feira Santa (11 de Nisã)

A figueira seca (Mc 11, 20). Marcos insere a conclusão do episódio da figueira seca no dia seguinte aos acontecimentos de 10 de Nisã, mas com o mesmo simbolismo de Mateus.

Marcos insere aqui os discursos e discussões apresentados por Mateus no dia anterior:
Discussão sobre a autoridade de Jesus (Mc 11, 27-33)
Parábola dos vinhateiros homicidas (Mc 12, 1-12)

O dia em Mateus parece iniciar-se com o discurso sobre o banquete nupcial (Mt 22, 1-14; cf. Lc 14, 16-24). Depois, há a discussão sobre o tributo a César, inserido no mesmo contexto pelos outros sinóticos (Mt 22, 15-22; Mc 12, 13-17; Lc 20, 20-26); a discussão com os saduceus sobre a ressurreição dos mortos (Mt 22, 23-33; Mc 12, 18-27; Lc 20, 27-40); a disputa sobre o maior mandamento, contra os fariseus, a qual é apresentada por Lucas em outro contexto histórico (Mt 22, 34-40; Mc 12, 28-31); a pergunta de Jesus sobre a divindade do Cristo (Mt 22, 41-46; Mc 12, 35-37; Lc 20, 41-44), parte esta que pode considerar-se em Marcos como pertencente à quarta-feira.  Nesse contexto, pode se considerar encerrado o dia em Mateus.

domingo, 17 de abril de 2011

Cronologia da Semana Santa: Segunda-feira Santa (10 de Nisã)

Os dias que precedem a ceia pascal são marcados por discursos e debates em Jerusalém. Mateus apresenta uma série destes, sem muita preocupação cronológica, mas é possível dividi-los em dias.

Lucas, igualmente, não delimita os dias, mas apresenta os discursos sem uma ordem cronológica determinada. Os dias de segunda a quarta-feira são apresentados como dias de ensino no Templo e vigília ao relento no monte das Oliveiras (Lc 21, 37). Dessa forma, Lucas não fala da estadia de Cristo em Betania, como o fazem os outros dois sinóticos.

Segunda-feira Santa: 10 de Nisã

Maldição da  figueira: Mt 21, 18-22, Mc 11, 12-14. Mateus diverge de Marcos, pois apresenta a figueira secando instantaneamente, enquanto Marcos mostra a maldição na segunda e a figueira seca no dia seguinte. Mas o significado é o mesmo: o povo judeu não produziu os frutos esperados.

Expulsão dos vendilhões do templo: Mc 11, 12-14. Apenas Marcos coloca este fato na segunda, enquanto Mateus e Lucas  o apresentam no próprio domingo. Com esse evento, Marcos marca o fim do dia.

Mateus apresenta então uma discussão e duas parábolas neste dia:
Discussão sobre a autoridade de Jesus: Mt 21, 23-27
Parábola dos dois filhos: Mt, 21, 28-32
Parábola dos vinhateiros homicidas: Mt 21, 33-45

O versículo 45 parece indicar o término da ação daquele dia, enquanto o primeiro versículo do capítulo 22 indica uma continuidade de alguma coisa interrompida (Jesus voltou a falar-lhes...).

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ano Litúrgico




O Ano Litúrgico é o tempo que marca as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não é como o ano civil, que começa em 1º de Janeiro e termina em 31 de dezembro, mas começa no 1º domingo do Advento e termina no último sábado do tempo comum, que é na véspera do 1º domingo do Advento.
ADVENTO
Início: 4 domingos antes do Natal
Término: 24 de dezembro à tarde
Cor: Roxa

O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que comemoramos a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, se voltam os corações para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Por esse duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa expectativa da vinda do Messias, além de se apresentar como um tempo de purificação de vida. O tempo do Advento inicia-se quatro domingos antes do Natal e termina no dia 24 de Dezembro, desembocando na comemoração do nascimento de Cristo. É um tempo de festa, mas de alegria moderada.
NATAL
Início: 25 de dezembro
Término: Na festa do Batismo de Jesus
Cor: Branca

Após a celebração anual da Páscoa, a comemoração mais venerável para a Igreja é o Natal do Senhor e suas primeiras manifestações, pois o Natal é um tempo de fé, alegria e acolhimento do Filho de Deus que se fez Homem. O tempo do Natal vai da véspera do Natal de Nosso Senhor até o domingo depois da festa da Epifania, em que se comemora o Batismo de Jesus. No ciclo do Natal são celebradas as festas da Sagrada Família, de Santa Maria, Mãe de Deus e do Batismo de Jesus.

QUARESMA
Início: Quarta-Feira das Cinzas
Término: Quarta-feira da Semana Santa
Cor: Roxa

O Tempo da Quaresma é um tempo forte de conversão e penitência, jejum, esmola e oração. É um tempo de preparação para a Páscoa do Senhor, e dura cerca de quarenta dias. Neste período não se diz o Aleluia, nem se colocam flores na Igreja, não devem ser usados muitos instrumentos e não se canta o Glória, para que as manifestações de alegria sejam expressadas de forma mais intensa no tempo que se segue, a Páscoa. A Quaresma inicia-se na Quarta-feira de Cinzas, e termina na manhã de Quinta-feira Santa. Seu período mais expressivo é a Semana Santa, lembrança da última semana de Jesus na terra, que se inicia no Domingo de Ramos e termina no Tríduo Pascal.
Tríduo Pascal
O Tríduo Pascal começa com a Missa da Santa Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa. Neste dia, é celebrada a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, e comemora-se o gesto de humildade de Jesus ao lavar os pés dos discípulos.

Na Sexta-Feira Santa celebra-se a Paixão e Morte de Jesus Cristo. É o único dia do ano que não tem Missa, acontece apenas uma Celebração da Paixão do Senhor.

Durante o Sábado Santo, a Igreja não exerce qualquer ato litúrgico, permanecendo em contemplação de Jesus morto e sepultado.

Na noite de Sábado Santo, já pertencente ao Domingo de Páscoa, acontece a solene Vigília pascal. Conclui-se, então, o Tríduo Pascal, que compreende a Quinta-Feira, Sexta-Feira e o Sábado Santo, que prepara o ponto máximo da Páscoa: o Domingo da Ressurreição.

PÁSCOA
Início: Domingo de Páscoa (Tríduo Pascal)
Término: No Pentecostes
Cor: Branca

A Festa da Páscoa ou da Ressurreição do Senhor, se estende por cinquenta dias entre o domingo de Páscoa e o domingo de Pentecostes, comemorando a volta de Cristo ao Pai na Ascensão, e o envio do Espírito Santo. Estas sete semanas devem ser celebradas com alegria e exultação, como se fosse um só dia de festa, ou, melhor ainda, como se fossem um grande domingo, vivendo uma espiritualidade de alegria no Cristo Ressuscitado e crendo firmemente na vida eterna.

TEMPO COMUM
Início: 2ª feira após o Batismo de Jesus
Término: Véspera da Quarta-feira das Cinzas
Início: Segunda-feira após o Pentecostes
Término: Véspera do 1º Domingo do Advento
Cor: Verde

Além dos tempos que têm características próprias, restam no ciclo anual trinta e três ou trinta e quatro semanas nas quais são celebrados, na sua globalidade os Mistérios de Cristo.

Comemora-se o próprio Mistério de Cristo em sua plenitude, principalmente aos domingos. É um período sem grandes acontecimentos, mas que nos mostra que Deus se faz presente nas coisas mais simples. É um tempo de esperança acolhimento da Palavra de Deus. Este tempo é chamado de Tempo Comum, mas não tem nada de vazio. É o tempo da Igreja continuar a obra de Cristo nas lutas e no trabalho pelo Reino. O Tempo Comum é dividido em duas partes: a primeira fica compreendida entre os tempos do Natal e da Quaresma; a segunda parte fica entre os tempos da Páscoa e do Advento, e é o momento do cristão colocar em prática a vivência do reino e ser sinal de Cristo no mundo, ou como o mesmo Jesus disse, ser sal da terra e luz do mundo.

Fonte: Apostila de coroinhas, Rodrigo Demetrio