sábado, 16 de abril de 2011

Cronologia da Semana Santa: Domingo de Ramos (9 de Nisã)

Durante a Semana Santa, trazemos novamente à memória a última semana de vida terrena de nosso Salvador, Jesus Cristo. Há certas dificuldades em se elaborar uma cronologia destes acontecimentos, devido a "divergências" entre os evangelistas, os quais colocam alguns fatos em um dia ou em outro, como é o caso da refeição em Betânia, colocada por Mateus na quarta-feira (Mt 26,6) e apresentada por João nas vésperas do domingo (Jo 12,1).

Mas estas aparentes contradições apenas reforçam a veracidade do testemunho evangélico, em vez de desacreditá-lo, mostrando que cada um dos dois evangelistas e apóstolos os apresentam conforme os viveram e deles se lembram ao narrá-los.

Domingo de Ramos (9 de Nisã)

Maria unge os pés
de Jesus
Vésperas do domingo (sábado após o pôr-do-sol):
Jantar na presença de Marta, Maria e Lázaro, onde Maria unge Jesus com nardo puríssimo (Jo 12,1-11). Mateus e Marcos apresentam esse fato na quarta-feira (Mt 26,6; Mc 14, 1) e dão alguns detalhes, como o nome do anfitrião (Simão, o leproso)

Domingo pela manhã
(Seguindo pela cronologia apresentada no Evangelho de João. O dia seguinte em Jo 12, 12, é provavelmente a manhã do dia 9 de Nisã, já que o dia judaico inicia-se no pôr-do-sol da véspera)

Entrada Messiânica de Jesus em
Jerusalém
Entrada messiânica de Jesus em Jerusalém (Mt, 21,1-11; Mc  11, 1-10; Lc 19,28-40; Jo 12,12-16)

Marcos encerra aqui a atividade messiânica de Jesus, após entrada deste no Templo para observá-lo (Mc 11, 10)

Lucas insere no contexto da entrada de Jesus em Jerusalém o lamento e o choro de Jesus sobre a cidade (Lc 19, 41-44)

Expulsão dos vendilhões do Templo (Mt 21, 12-17; Lc 19,45-48). Marcos coloca-o na segunda-feira; João insere essa passagem no contexto da primeira ida de Jesus a Jerusalém, três anos antes da Paixão (Jo 2, 13)

Ensino no Templo (Lc 19, 47-48)

João apresenta a seguir uma discussão sobre a glorificação e a identidade do Filho do Homem, sendo difícil precisar o dia em que a mesma acontece (Jo 12, 20-36)

À tarde, Jesus retorna para Betânia (Mt 12,17; Mc 11,11)

terça-feira, 8 de março de 2011

Mártires do Rio Grande do Norte - Mártires de Uruaçu

Após as notícias dos cruéis massacres de Cunhaú, os moradores do Rio Grande do Norte tornaram-se cada vez mais receosos de novos ataques e suspeitosos da conivência das autoridades flamengas em relação aos ataques.

Por isso, alguns moradores pediram hospedagem no Forte Ceulen, nome dado pelos holandeses à Fortaleza dos Reis Magos, como hóspedes. Entre estes estava o pe. Francisco Ambrósio Ferro.

Após deixar Cunhaú, Jacó Rabe e seus comparsas continuou as pilhagens e os assassinatos em vários outros povoados do Rio Grande do Norte. Em meados de setembro, dirigiu-se a Pontegi, onde os portugueses haviam erigido uma cerca de pau-a-pique para defenderem-se dos ataques.

Em Potengi, localizada a 25 quilômetros de Natal, os moradores estavam temerosos pelo início da insurreição portuguesa em Pernambuco (a qual estava distante, considerando-se as circunstâncias de deslocamento e comunicação da época de Rio Grande) e assustados com os fatos ocorridos, principalmente em Cunhaú. Por isso, montaram uma fortaleza sólida de pau-a-pique a fim de defenderem-se dos holandeses e principalmente de Jacó Rabe. Segundo algumas fontes, setenta moradores ai se defendiam, mas contando apenas os homens adultos; fontes holandesas falam de “232 homens, mulheres e crianças” e mais “100 negros” escravos.

O Alto e Secreto Conselho do Recife determinou a execução de todos os moradores, considerando tal situação como uma insurreição. Jacó Rabe iniciou um cerco à fortaleza de Potengi, onde os moradores resistiram durante quinze dias; mas Rabe mandou trazer peças de artilharia, e os moradores foram obrigados a se render.

No dia 2 de outubro de 1645, o conselheiro Adriaen van Bullestrate, um dos responsáveis pela condução dos destinos do Brasil holandês, desembarcou no Rio Grande, a fim de verificar se as ordens de execução foram executadas.

No dia seguinte, doze portugueses que se encontravam hospedados na Fortaleza dos Reis Magos, incluindo o pe. Francisco Ambrósio, foram levados a Uruaçu, onde se localizava Potengi. Chegando no Porto de Uruaçu, chamado Potengi pelos índios, foram forçados a se despir de suas roupas e a se ajoelhar. Ao sinal dado, os índios potiguares comandados por Antônio Paraopaba, um índio educado na Holanda e um dos defensores mais fanáticos do calvinismo, massacraram de maneira crudelíssima os indefesos mártires, despedaçando-os ainda vivos, enquanto eram convidados a abjurar a fé e trair seu país.

Enquanto isso, os moradores da cerca mantinham-se em orações e penitências, cientes do destino que os aguardava. Após encerrada a execução do primeiro grupo, os soldados foram enviados para buscá-los. As ordens eram para que apenas os homens fossem levados; mas também algumas mulheres, acompanhadas pelos seus filhos, foram levadas e sacrificadas.
Beato Francisco Ambrósio
Ferro

Ao chegarem estes no local de martírio, viram o sangue e os membros dilacerados dos outros companheiros, e resignaram-se com sua sorte. Os índios os martirizaram de maneira igualmente cruel.

Dentre os fatos narrados, destacam-se a violência cometida com excesso contra o pe. Francisco Ambrósio, e a morte de Matias Moreira. Enquanto seu coração era arrancado pelas costas, exclamava: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”

Depois de assassinados, os corpos dos mártires foram reduzidos a pedaços. Não se sabe ao certo quantos foram, mas deduz-se aproximadamente oitenta mortos em Potengi, dos quais vinte e oito foram beatificados.

Mártires do Rio Grande: Mártires de Cunhaú

Após a conquista da capitania do Rio Grande pelos holandeses, em 8 de dezembro de 1633, muitos moradores foram mortos em circustâncias diferentes, Um exemplo lembrado pela história é o assassinato de Francisco Coelho, dono do engenho de Potengi, e de sua família, em 14 de dezembro do mesmo ano.

Os fatos ocorridos em Cunhaú e em Uruaçu em 1645, porém, são de natureza diversa. São fatos com uma forte matiz religiosa, e percebe-se na ação dos agressores o ódio pela fé e a aceitação livre do martírio, por amor a Deus, pelo lado dos assassinados.

Cunhaú localiza-se em uma região estratégica dentro dos limites da antiga capitania, e por isso foi logo fortemente conquistada pelos holandeses, logo em 1634. Em 1645, porém, vivia-se em relativa harmonia entre portugueses e holandeses. Apesar da insurreição iniciada em Pernambuco, a notícia ainda não chegara em Rio Grande.

Jacó Rabe era um homem extremamente violento, natural da Alemanha, mas que emigrara para Holanda e trabalhava a serviço da Companhia das Índias Ocidentais. Foi intérprete desta Companhia junto aos índios tapuias, assimilando seus costumes, e casou-se com uma índia, de nome Domingas. Aproveitando-se de sua influência junto aos índios, instigou-lhes a atacar os portugueses, invadindo, saqueando e matando-os. Chegou a ser repreendido algumas vezes pelas autoridades holandesas.

O ano de 1643, o Supremo Conselho dos holandeses expediu uma ordem de prisão contra Rabe, mas a mesma não foi cumprida. Pelo contrário, as autoridades continuaram a acobertá-lo.

No dia 15 de julho de 1645, Rabe chegou ao Rio Grande, alegando trazer uma mensagem do Supremo Conselho Holandês do Recife aos moradores de Cunhaú, e ordenou que todos esperassem após a missa dominical, no dia seguinte, para ouvirem as ordens que trouxera.

Apesar da chuva torrencial, muitas pessoas compareceram à santa Missa, afim de cumprirem o precito dominical, na igreja de Nossa Senhora das Candeias. Outros ainda não puderam comparecer à missa, e refugiaram-se na casa de engenho.

Capela onde aconteceram os martírios
O pároco, pe. André de Soveral, iniciou a santa Missa. Após a Consagração e a elevação da hóstia, Rabe mandou entrar os índios e trancar as portas. Os fiéis foram cruelmente assassinados enquanto rezavam, sem esboçar reação.

Os índios tapuias tentaram atacar o pe. André, mas este exortou-os a não tocar nos objetos sagrados e no altar, e ficaram com medo de o matar. Mas um índio potiguar, Jererera, fanaticamente convertido à religião calvinista, o feriu com uma adaga.

Após o massacre na capelinha, os agressores dirigiram-se à casa de engenho, onde quase todos os moradores tiveram semelhante fim, com exceção de três moradores, os quais fugiram pelo telhado, e do dono do engenho, Gonçalo de Oliveira, e sua família, tidos como amigos dos invasores flamengos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mártires do Rio Grande do Norte - Contexto Histórico

O ano de 1645 foi marcado por dois eventos trágicos e, ao mesmo tempo, extraordinários testemunhos de fé católica no Rio Grande do Sul. Tratam-se dos martírios do pe. André de Soveral e dos fiéis que participavam da Santa Missa em Cunhaú, e do pe. Ambrósio Francisco Ferro e outros aldeões foram assassinados pelos conquistadores calvinistas, em Uruaçú.

Contexto Histórico

A partir de 1500, com a descoberta do Brasil e o início da evangelização, a fé católica foi introduzida na colônia portuguesa através dos jesuítas, principalmente, os quais vinham em companhia do colonizadores lusitanos. Porém, Portugal não era o único interessado nas terras brasileiras. Já no século XVI, franceses fundaram a "França Antártida" na região do atual Rio de Janeiro, sendo expulsos em 1560, com o auxílio dos padres Anchieta e Manoel de Nóbrega.

Cerco holandês a Olinda, em 1630
No ano de 1580, a dinastia de Avis, regente de Portugal desde 1385 findou-se com a morte de dom Sebastião e de seu tio, o cardeal Henrique. Portugal caiu nas mãos de Filipe II, da Espanha, a qual vivia seu momento de maior esplendor.

Apesar de manter sua independência administrativa e jurídica, Portugal foi relegado a um segundo plano. Juntamente com a ascensão naval holandesa.

Os holandeses conquistaram a capitania de Pernambuco em 1630, apesar de serem constantemente ameaçados pelos portugueses, e expandiu seus territórios por capitanias vizinhas. Em 1597, os jesuítas iniciaram o trabalho evangelizador na capitania de Rio Grande após a expulsão de invasores franceses. A partir de 1633, a igreja no Rio Grande do Norte foi ameaçada pelas autoridades holandesas, calvinistas que defendiam a liberdade religiosa mas eram hostis à fé católica e que incentivava o prosetilismo calvinista.
Maurício de Nassau

O ano de 1640 é marcado pela restauração de Portugal. O grande governante holandês, Maurício de Nassau, é transferido em 1644, e a política de seus sucessores estoura a insurreição pernambucana. O clima de hostilidade dos governantes holandeses acentua-se contra os portuguesas.

O cenário no qual ocorreu os martírios de 1645 não é somente de uma guerra política, mas também de perseguição religiosa. No nordeste brasileiro, não distinção entre religião e política: Portugal e religião católica são vistos como uma coisa só; os novos governantes não toleram mais a fé católica como anteriormente Nassau. Esse é o contexto no qual se  dará o martírio de mais de cento e cinquenta pessoas, das quais trinta foram beatificadas (por teresm sido identificadas) de maneira crudelíssima pelo governo holandês e por índios convertidos ao calvinismo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Beato Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires: relato biográfico dos trinta e nove mártires

Beato Inácio de Azevedo e seus trinta
e nove companheiros, mártires

Breve relato da vida dos trinta e nove companheiros de martírio de Inácio de Azevedo:

Beato Diogo de Andrade, padre

Nascido em Pedrógão Grande, próximo a Leiria, Portugal, em 1531. Cuidava da fazenda da família; ouvia missa todos os dias e quis entrar para a Companhia pelo bom exemplo dos padres, para ajudá-los a "converter as almas à Fé de Cristo". Em Coimbra ocupou os afazeres humildes da casa, na cozinha, refeitório, portaria, etc. Depois de estudar latim e teologia moral, foi destinado ao Brasil e assim ordenado sacerdote, já com 38 ou 39 anos. A bordo da nau Santiago exercia o ofício de ministro, e foi um dos que animaram os marinheiros para a defesa da embarcação. Ferido na cabeça e a punhaladas, foi lançado vivo ao mar.

Beato Bento de Castro, irmão, estudante

Nascido em Vila de Chacim, de Trás-os-Montes, Portugal, em 1543, de família fidalga e rica. Estudando em Bragança e depois em Lisboa, aí entrou na Companhia em 1561, com quase 18 anos. Era estudante de filosofia em Coimbra quando o destinaram ao Brasil. Ficou extremamente feliz, pois desejava ser missionário e "morrer pela fé de Cristo". Embora ainda não fosse padre, exercia na nau Santiago o ofício de mestre de noviços e explicava a doutrina às pessoas da nau. Foi o primeiro a ser ferido com pelouros e punhaladas e lançado ao mar ainda vivo.

Beato Antônio Soares, irmão, estudante

Nascido em Trancoso, Portugal. Entrou na Companhia em 1565 como estudante, e ocupava-se dos ofícios comuns na casa durante a permanência em Val de Rosal. Foi ele quem deu a notícia de que a tão esperada nau Santiago havia chegado a Lisboa, vindo do Porto, em 8 de maio de 1570. Na nau Santiago ajudava os feridos e animava os combatentes. Crivado de punhaladas, foi lançado vivo ao mar.

Beato Manuel Álvares, irmão, coadjutor

Nascido em Estremoz, Portugal, em 1536, entrou na Companhia como Coadjutor, em Évora, em 1559. Era trabalhador do campo e guardava gado; contava que estava arando a terra certa vez, e sentiu o desejo de ser peregrino e nada ter por amor a Deus, fazendo parte de alguma ordem religiosa. Depois dessa inspiração de Deus, foi levado por um sacerdote à Companhia. Aprendeu a ler e pediu para ir ao Brasil. Na nau Santiago, durante o combate gritava animando os combatentes para que não se deixassem vencer pelos hereges, pois batalhavam pela fé. Foi lançado vivo ao mar.

Beato Francisco Álvares, irmão, coadjutor

Nascido em Covilhã, Portugal, em 1539. Entrou na Companhia em Évora com 25 anos de idade, e tinha o ofício de tecelão e cardador. Foi lançado vivo ao mar.

Beato Domingos Fernandes , irmão, estudante

Nascido em Vila de Borba, no Alentejo, Portugal, em 1551. Entrou na Companhia com 16 anos de idade em Évora. Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.

Beato João Fernandes, de Braga, irmão, estudante

Nascido em Braga, Portugal, em 1547. Ingressou na Companhia em Coimbra em junho de 1569, com 22 anos. Foi lançado vivo ao mar.

Beato João Fernandes, de Lisboa, irmão, estudante

Nascido em Lisboa, Portugal, em 1551. Entrou na Companhia em Coimbra, em abril de 1568, com 17 anos, habilidoso para o estudo de letras. Foi vivo ao mar.

Beato Antônio Correia, irmão, estudante

Nascido no Porto, Portugal, em 1553. Entrou para a Ordem com 16 anos. Maltratado pelos hereges com os punhos de uma adaga e lançado vivo ao mar. Ao abrir-se o processo de canonização no Porto em 1628, muitos já lhe tinham devoção.

Beato Francisco de Magalhães, irmão, estudante

Nascido em Alcácer do Sal, Portugal, em 1549. Já estudante em Évora, entrou para a companhia com 19 anos, em 1568. Cantava admiravelmente e era dedicado colaborador de Pe. Inácio; ajudava na instrução religiosa dos marinheiros. Ao ser lançado vivo ao mar, disse aos hereges: "Ah! Irmãos, Deus vos perdoe isto que fazeis".

Beato Marcos Caldeira, irmão

Nascido em Vila da Feira, Portugal, em 1547. Entrou na Companhia em Évora, com 22 anos, como indiferente, isto é, para ser estudante ou coadjutor conforme se revelassem suas aptidões. Vivo ao mar.

Beato Amaro Vaz, irmão, coadjutor

Nascido em Benviver, distrito do Porto, Portugal, em 1553. Entrou para a Companhia com 16 anos e logo seguiu para Val de Rosal. Apunhalado e atirado vivo ao mar.

Beato João Maiorga, irmão, coadjutor

Nascido em 1533, em Saint-Jean Pied-de-Port, povoado da Gasconha, pertencente à França, mas que na época do seu nascimento era da Espanha. Quando Pe. Inácio passou por Valência voltando de Roma, ele foi um dos indicados para o Brasil, pois era pintor de profissão, arte que seria muito útil então ao nosso país. Deixou quadros em Saragoça. Em Val de Rosal ensinava pintura aos companheiros, e chegou a fazer duas ou três imagens de Nossa Senhora. Era um dos designados a animar os combatentes. Lançado vivo ao mar.

Beato Alonso de Baena, irmão, coadjutor

Nascido em Villatobas, Toledo, Espanha, em 1539. Estava terminando o noviciado, com 30 anos de idade, quando Pe. Inácio o levou para Portugal com destino ao Brasil. Tinha o ofício de ourives. Em janeiro de 1570 estava residindo no Colégio do Porto, e trabalhava na horta. Um dos designados para animar os combatente e curar os feridos. Após ser ele também ferido, foi lançado ao mar vivo.

Beato Esteban de Zuraire, irmão, coadjutor

Nascido em Biscaia, Espanha. Era bordador de ofício, e ocupava o posto de roupeiro no Colégio de Placência quando por aí passou o Pe. Inácio recrutando voluntários. Um dos escolhidos para animar os combates. Lançado vivo ao mar.

Beato Juan de San Martín, irmão, estudante

Nascido em Yuncos, Toledo, Espanha, em 1550. Estudava na Universidade de Alcalá e foi para Portugal com destino ao Brasil. Animava os combates. Lançado vivo ao mar.

Beato Juan de Zafra, irmão, coadjutor

Nascido em Jerez, Espanha. Aceito para o Brasil em Cuenca, entrou na Companhia em Évora, a 8 de fevereiro de 1570. Lançado vivo ao mar.

Beato Francisco Pérez Godói, irmão, estudante

Nascido em Torrijos, Espanha, em 1540. Bacharel em Cânones pela Universidade de Salamanca. Fez os Exercícios Espirituais e entrou na Ordem em abril de 1569. Foi com Pe. Inácio para Portugal, onde continuou o noviciado, já com 30 anos de idade. Era parente de Santa Teresa de Ávila. Muito estimado por todos, era também cantor e tocava harpa e outros instrumentos. Um dos escolhidos para animar os combates. Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.

Beato Gregório Escribano, irmão, coadjutor

Nascido em Logroño, Espanha. Veio com Pe. Inácio para Portugal quando este passou pela Espanha. Lançado vivo ao mar.

Beato Fernán Sanchez, irmão, estudante

Nascido na Espanha, em Castela-a-Velha. Recebido em Salamanca por Pe. Inácio , com destino ao Brasil. Lançado ferido ao mar.

Beato Gonçalo Henriques, irmão, estudante

Nascido no Porto, Portugal. Era subdiácono ou diácono. Um dos que animavam os combates. Lançado ao mar, não se sabe se ainda vivo ou já morto.

Beato Álvaro Borralho, irmão, estudante

Nascido em Elvas, Alentejo, Portugal. Era excelente cantor. Embora tenha adoecido na Ilha da Madeira, quis seguir na nau Santiago. Lançado vivo ao mar.

Beato Pero Nunes, irmão, estudante

Adicionar legendaNascido em Fronteira, Alentejo, Portugal. Lançado vivo ao mar.

Beato Manuel Rodrigues, irmão, estudante

Nascido em Alcochete, Portugal. Lançado vivo ao mar.

Beato Nicolau Diniz, irmão, estudante

Nascido em Bragança, Portugal, em 1553. Era de pele morena, tinha graça em representar, e entrou na Companhia em Val de rosal, com 17 anos. Lançado vivo ao mar.

Beato Luís Correia, irmão, estudante

Nascido em Évora, Portugal. Vivo ao mar.

Beato Diogo Mimoso, irmão, estudante

Nascido em Nisa, Portalegre, Portugal. Freqüentava o curso de filosofia na Universidade de Évora. Ofereceu-se para ir ao Brasil e foi recebido. Morto à lançada e jogado ao mar.

Beato Aleixo Delgado, irmão, estudante

Nascido em Elvas, Portugal, em 1555. Filho de um cego, a quem servia de guia. Como era pobre, entrou para o Colégio de Évora servindo e estudando ao mesmo tempo. Passando Pe. Inácio por Évora, admitiu-o na Companhia para ir para o Brasil, com apenas 14 anos de idade. Era bom cantor. Vivo ao mar.

Beato Brás Ribeiro, irmão, coadjutor

Nascido em Braga, Portugal, em 1546. Já estava na Companhia, no Porto, quando o Pe. Inácio o recebeu para o Brasil em janeiro de 1570, com 24 anos de idade. Os hereges o mataram com uma cutilada na cabeça enquanto estava ajoelhado rezando diante das relíquias, e morto foi lançado ao mar.

Beato Luís Rodrigues, irmão, estudante

Nascido em Évora, Portugal, em 1554. Entrou na Companhia enquanto cursava o ginásio, aos 16 anos, em 15 de janeiro de 1570. Continuou o noviciado em Val de Rosal e na nau do martírio. Depois da morte do Pe. Inácio exortava os colegas: "Irmãos, animemo-nos e ajudemo-nos do Credo, porque o sangue de Cristo não se há de perder". Ferido a punhaladas e lançado ainda vivo ao mar.

Beato André Gonçalves, irmão, estudante

Nascido em Viana de Alvito, Portugal. Havia estudado na Universidade de Évora. Foi recebido pelo Pe. Inácio diretamente para o Brasil. Depois de apunhalado, foi lançado ao mar.

Beato Gaspar Álvares, irmão

Nascido no Porto, Portugal. Quando a nau foi atacada pela armada dos huguenotes e atacada por balas de canhão, uma delas quase acertou Gaspar, que disse: "Oh! Prouvera a Deus que aquele pelouro me tivesse acertado e matado por amor de Deus". Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.

Beato Manuel Fernandes, irmão, estudante

Nascido em Celorico, Portugal. Vivo ao mar.

Beato Manuel Pacheco, irmão, estudante

Nascido em Ceuta, cidade que à época pertencia a Portugal, ao norte do Marrocos. Um dos que animavam os combates. Lançado ao mar.

Beato Pedro Fontoura, irmão, coadjutor

Nascido em Braga, Portugal. Estando em oração diante das relíquias, um herege acutilou-o no rosto, cortando-lhe a língua; assim foi lançado ao mar.

Beato Antônio Fernandes, irmão, coadjutor

Nascido em Montemor-o-Nôvo, Portugal. Entrou na Companhia em janeiro de 1570; era muito bom carpinteiro e em Val de Rosal era o chefe de oficina. Lançado vivo ao mar.

Beato Simão da Costa, irmão, coadjutor

Nascido no Porto, Portugal. Como era noviço a pouco tempo e ainda não estava com o hábito, a veste religiosa, os hereges acharam que deveria ser algum pajem, pelo qual poderiam exigir algum resgate. Por isso não o mataram no dia 15, como fizeram com todos os demais. Foi interrogado no dia seguinte, e ao responder que era religioso como os outros, foi degolado. Foi o único que recebeu esse gênero de martírio, e no dia seguinte, 16 de julho de 1570.

Beato Simão Lopes, irmão, estudante

Nascido em Ourém, Portugal. Vivo ao mar.

Beato João Adauto

Natural de Entre Douro e Minho, Portugal. Sobrinho do capitão da nau Santiago, não era da Companhia, embora desejasse vir a sê-lo. Em toda a viagem andava com Pe. Inácio e os demais religiosos, e durante o combate vestiu um dos hábitos religiosos que tiraram dos jesuítas. Vendo que os irmãos se deixavam matar sem resistência, consentiu no mesmo. Lançado vivo ao mar.