segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Por que canonizar uma pessoa?

Cristo, fonte e origem da santidade
da Igreja
Por que canonizar uma pessoa? Canonizar é um processo oficial da Igreja Católica pelo qual, baseado no testemunho de vida, na prática das virtudes e segundo sinais sobrenaturais comprovados, uma pessoa é considerada santa, ou seja, já aceita na glória celeste e gozando da bem-aventurança eterna.

Somente Deus é Santo. A partir da entrega de Jesus, a Igreja foi santificada, unida a Cristo como seu Corpo e foi cumulada pelo Espírito Santo. Assim, é Cristo quem santifica a Igreja, e a santidade dela é o próprio Espírito Santo. Seus membros, constituídos filhos de Deus através do Batismo e da fé, podem assim ser chamados verdadeiramente de santos.

Alguns destes homens e mulheres, discípulos de Cristo e membros da Igreja, deram e ainda dão um testemunho com o derramamento de seu sangue (como os mártires) ou exercendo heroicamente as virtudes (caso das demais virtudes).

A Igreja, percebendo desde muito cedo o testemunho dos santos, como a Virgem Santíssima, os Apóstolos, os mártires e aqueles tantos outros seguidores do exemplo de Cristo, propôs aos fiéis a devoção e a reverência para com eles.

Também percebendo a íntima união entre a Igreja celeste e a Igreja militante (na terra), os Padres sempre testemunharam a realidade da "Comunhão dos santos": a união dos fiéis aqui na terra, dos já falecidos, em purificação de seus pecados, e dos bem-aventurados. Todos estes formam "uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amo misericordioso de Deus e de seus santos está sempre à escuta de nossas orações" (Catecismo, no. 962).

Por causa dessa intercessão dos santos por nós, vivos, a Igreja aprovou o culto e a devoção aos santos. Temerosa porém pelos excessos, a Santa Sé dedicou-se a avaliar através de um delicado processo a vida e os milagres atribuídos a uma pessoa com fama de santidade. Este é o processo de canonização, o qual pretendo expor de forma sucinta em breve.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Homilia do Papa Bento XVI na canonização de Frei Galvão

VIAGEM APOSTÓLICA
DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
AO BRASIL POR OCASIÃO DA V CONFERÊNCIA GERAL
 DO EPISCOPADO DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE
SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO
DE FREI ANTÔNIO DE SANT'ANNA GALVÃO, OFM
HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
Aeroporto "Campo de Marte", São Paulo
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,
«Bendirei continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará meus lábios» [Sl 33,2]
1. Alegremos-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado no Santo Sacrifício do Altar.
Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.
Quero agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, que foi a voz de todos vós, e a atenção do seu predecessor, o Cardeal Cláudio Hummes, que com tanto esmero empenhou-se pela causa do Frei Galvão. Agradeço a presença de cada um e de cada uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos de outras cidades e nações. Alegro-me que através dos meios de comunicação, minhas palavras e as expressões do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham certeza: o Papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama.
Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: «Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos» (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece.
Saúdo com afeto, a toda a comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.
2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.
Deus vem ao nosso encontro, "procura conquistar-nos - até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente" (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença.
Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em "laus perennis", em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado grave.
3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena Maria, que foi a primeira "recolhida" destinada a dar início ao "Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição", testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: "Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram". Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências.
4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século XVIII, definindo Frei Galvão como "homem de paz e de caridade". Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amo». Mas logo a seguir acrescenta: que «deis fruto e o vosso fruto permaneça» (cf. Jo 15, 12.16). E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?
A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.
Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.
Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá como tema básico: "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida". Como não ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina está chamada a enfrentar?
5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt 11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige. Como não ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno, de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão, assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador. Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.
De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.
Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração da sua castidade: "tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor". São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.
É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima, quando invocarmos proteção e auxílio à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados para a vida religiosa.
6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de Oração de Marienfeld na Alemanha: diante de uma multidão de jovens, quis definir os santos da nossa época como verdadeiros reformadores. E acrescentava: "só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo" (Homilia, 20/08/2005). Este é o convite que faço hoje a todos vós, do primeiro ao último, nesta imensa Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo» (Lv 11,44). Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com a fé é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, como também necessária a santidade, cada qual no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!

Santo Antônio de Santana Galvão

Antonio Galvão era o quarto filho de Antônio Galvão de França, capitão-mor da freguesia de Santo Antônio de Guarantiguetá, comerciante e membro da Ordem Terceira de São Francisco; e de Isabel Leite de Barros, conhecida por sua generosidade. Nasceu no ano de 1739 (não se sabe ao certo o dia), aproximadamente vinte e dois anos após a imagem de Nossa Senhora Aparecida ser encontrada no rio Paraíba, próximo a Guaratinguetá.

Com treze anos de idade, ingressou no seminário jesuíta de Cachoeira, Bahia, onde inclusive já se encontrava um de seus irmãos. Em 1755, falece sua mãe. No ano seguinte, devido à perseguição promovida pelo marquês de Pombal aos jesuítas, transfere-se, a conselho do pai, para o convento franciscano de Taubaté, apesar do desejo de se tornar padre daquela congregação.

Com vinte e um anos de idade, decide-se a ingressar na Ordem de são Francisco e torna-se noviço, adotando o nome de Antônio Santana, em homenagem à mãe de Nossa Senhora. Em 1761, com vinte e dois anos de idade, faz a profissão solene dos votos, durante a qual fez também o voto de defender a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, uma verdade de fé rejeitada por muitos ainda naquela época, e que só seria declarada como dogma em 1854.

Em 11 de julho de 1762, com vinte e três anos de idade, frei Antônio Galvão foi ordenado sacerdote e transferido para o Convento de São Francisco na cidade de São Paulo, a fim de continuar seus estudos. Durante a viagem para São Paulo, passou em Guaratinguetá para celebrar sua primeira missa, realizada na Matriz de Santo Antônio, mesma igreja de seu batismo. Em 1768, com vinte e nove anos, foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento, considerado um cargo importante naquela época. Destacou-se de tal forma pela sua vida piedosa e pela sua dedicação ao ponto de a Câmara Municipal lhe considerar o "novo esplendor do Convento".

Com trinta e um anos, foi convidado para fazer parte da Academia Paulistana de Letras. Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Santa Ana.

De 1769 a 1770, atuou como confessor no Recolhimento de Santa Teresa, casa que abrigava devotas de Teresa de Ávila na cidade de São Paulo, onde vivia a irmã Helena Maria do Espírito Santo, uma freira penitente, a qual afirmava ter visões onde Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Como era seu confessor, frei Galvão estudou as mensagens e se consultou com os outros religiosos, e as reconheceram como válidas e sobrenaturais. Por isso, ele ajudou a criar o novo Recolhimento, chamado Nossa Senhora da Luz, fundado em 2 de fevereiro de 1774, festa da Apresentação do Senhor, em São Paulo. Era baseado na Ordem da Imaculada Conceição, e se tornou um lar para meninas desejosas de viver uma vida religiosa sem fazer votos. Com a morte repentina da irmã Helena em 23 de fevereiro de 1775, tornou-se o novo superior do instituto. Tinha ele trinta e seis anos de idade.

Naquela altura, já tinha fama de santidade e de ser capaz de milagres, gerando uma grande procura pelos doentes. Sem condições de visitar um enfermo, escreveu num pedaço de papel uma frase do Ofício de Nossa Senhora: Post partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis ("Após o parto, ó Virgem, inviolada permanecestes: rogai por nós, Santa Mãe de Deus"). Em seguida, enrolou o papel no formato de uma pílula e deu-o a uma jovem cujas fortes cólicas renais estavam colocando sua vida em risco. Depois que ela tomou a pílula a dor cessou imediatamente e ela expeliu uma grande quantidade de cálculo renal. Em outra ocasião, um homem pediu-lhe ajuda para sua esposa, a qual passava por um parto difícil. O frei enviou-lhe as pílulas de papel, e a criança nasceu rapidamente, sem maiores complicações. A história das pílulas espalhou-se rapidamente e frei Galvão foi obrigado a ensinar às irmãs do Recolhimento como fabricá-las, o que elas fazem até os dias de hoje. Elas são distribuídas gratuitamente para cerca de 300 fiéis diariamente.


Naquela época, uma mudança no governo da província de São Paulo trouxe um líder inflexível , e este ordenou o fechamento do convento. Frei Galvão aceitou a decisão, mas as freiras se recusaram a abandonar o local, e devido à pressão popular e aos esforços do bispo, o convento foi logo reaberto. Posteriormente, com o crescente número de novas irmãs, a construção de mais espaço de convivência se tornou necessária. Frei Galvão demorou vinte e oito anos para construir um novo convento e uma igreja, sendo esta última inaugurada em 15 de agosto de 1802. Além das obras de construção e dos deveres dentro e fora de sua Ordem, ainda comprometeu-se também com a formação das irmãs. Os estatutos escritos por ele eram um guia para a vida interior e para a disciplina das religiosas.
Quando as coisas pareciam estar mais calmas, uma outra intervenção do governo trouxe uma nova provação para frei Galvão. O capitão-mor sentenciou um soldado à morte por ofender seu filho, e o sacerdote foi obrigado a se exilar por ter defendido o soldado. Mais uma vez, a pressão popular conseguiu revogar a ordem contra o padre.

Em 1781, frei Galvão foi nomeado mestre dos noviços em Macacu. Entretanto, as irmãs e o Bispo de São Paulo, Dom Manuel da Ressurreição, recorreram ao superior provincial, escrevendo-lhe que "nenhum dos habitantes desta cidade será capaz de suportar a ausência deste religioso por um único momento". Como resultado, ele foi mandado de volta para São Paulo. Mais tarde, em 1798, foi nomeado guardião do Convento de São Francisco, sendo reeleito em 1801.

Em 1811, fundou o Convm a formação das irmãs. Os estatutos escritos por ele eram um guia para a vida interior e para a disciplina das religiosas.

Quando as coisas pareciam estar mais calmas, uma outra intervenção do governo trouxe uma nova provação para frei Galvão. O capitão-mor sentenciou um soldado à morte por ofender seu filho, e o sacerdote foi obrigado a se exilar por ter defendido o soldado. Mais uma vez, a pressão popular conseguiu revogar a ordem contra o padre.

Em 1781, frei Galvão foi nomeado mestre dos noviços em Macacu. Entretanto, as irmãs e o Bispo de São Paulo, Dom Manuel da Ressurreição, recorreram ao superior provincial, escrevendo-lhe que "nenhum dos habitantes desta cidade será capaz de suportar a ausência deste religioso por um único momento". Como resultado, ele foi mandado de volta para São Paulo. Mais tarde, em 1798, foi nomeado guardião do Convento de São Francisco, sendo reeleito em 1801.

Em 1811, fundou o Convento de Santa Clara em Sorocaba. Onze meses depois, retornou ao Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo. Em sua velhice, obteve permissão do bispo dom Mateus de Abreu Pereira para ficar no Recolhimento, onde faleceu em 23 de dezembro de 1822, com oitenta e três anos de idade.

Frei Galvão foi sepultado na igreja do Recolhimento Nossa Senhora da Luz, sendo o seu túmulo um destino de peregrinação dos fiéis que teriam obtido favores devido a sua intercessão. Na época de seu enterro, sua fama de santo já havia se espalhado por todo o Brasil, e os frequentadores de seu velório, desejosos em guardar uma relíquia sua, foram cortando pedacinhos de seu hábito, o qual foi reduzido até os joelhos. Como ele somente possuía aquele hábito, foi sepultado com um de outro frade, ficando igualmente curto (frei Galvão tinha aproximadamente 1,90 m de altura!). A primeira lápide do túmulo teria o mesmo destino de seu hábito, sendo pouco a pouco quebrada e levada pelos devotos, os quais colocavam as pedras nos copos com água para os doentes.

Frei Galvão foi beatificado em 25 de outubro de 1998, no Vaticano, pelo papa João Paulo II. Foi o primeiro bem-aventurado nascido no Brasil. Em 11 de maio de 20087, em visita do papa Bento XVI ao Brasil, foi canonizado em São Paulo.ento de Santa Clara em Sorocaba. Onze meses depois, retornou ao Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo. Em sua velhice, obteve permissão do bispo dom Mateus de Abreu Pereira para ficar no Recolhimento, onde faleceu em 23 de dezembro de 1822, com oitenta e três anos de idade.

Frei Galvão foi sepultado na igreja do Recolhimento Nossa Senhora da Luz, sendo o seu túmulo um destino de peregrinação dos fiéis que teriam obtido favores devido a sua intercessão. Na época de seu enterro, sua fama de santo já havia se espalhado por todo o Brasil, e os frequentadores de seu velório, desejosos em guardar uma relíquia sua, foram cortando pedacinhos de seu hábito, o qual foi reduzido até os joelhos. Como ele somente possuía aquele hábito, foi sepultado com um de outro frade, ficando igualmente curto (frei Galvão tinha aproximadamente 1,90 m de altura!). A primeira lápide do túmulo teria o mesmo destino de seu hábito, sendo pouco a pouco quebrada e levada pelos devotos, os quais colocavam as pedras nos copos com água para os doentes.

Frei Galvão foi beatificado em 25 de outubro de 1998, no Vaticano, pelo papa João Paulo II. Foi o primeiro bem-aventurado nascido no Brasil. Em 11 de maio de 20087, em visita do papa Bento XVI ao Brasil, foi canonizado em São Paulo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

São Roque Gonzáles e companheiros

São Roque Gonzáles e companheiros


São Roque Gonzáles, Santo Afonso Rodrigues e são João de Castilho são padres jesuítas, de origens espanhola e paraguaia (Roque Gonzáles) e foram uns dos primeiros a evangelizar o sul do Brasil. Podem ser considerados entre os primeiros mártires a derramarem o seu sangue em solo do Brasil.

Roque González nasceu em Assunção, no Paraguai, em 1576. Era filho de espanhóis, e desde cedo recebeu uma esmerada educação com os missionários jesuítas espanhóis. Sentia-se desde pequeno inclinado à vocação sacerdotal, e foi ordenado padre diocesano com apenas vinte e dois anos de idade.

Padre Roque destacava-se pelo seu zelo também com os indígenas, visitando quase diariamente os povoados e dedicando-lhes uma especial catequese. O desejo missionário era ardente em seu peito, e isso levou-lhe, com trinta e três anos de idade, a pedir a admissão na Companhia de Jesus, a qual edificava as reduções indígenas.

As reduções jesuíticas fundadas na América Latina, especialmente no sul do Brasil e nos países adjacentes eram aldeamentos indígenas altamente organizados e sob administração dos padres jesuítas. Dentro de seus limites, formavam uma sociedade onde se conjugavam a cultura europeia e indígena, conjugando os valores positivos e evitando os defeitos de cada uma.

As reduções acolhiam milhares de indígenas, os quais recebiam catequese cristã e eram educados segundo moldes europeus, sem, contudo, perderem o cerne de sua identidade cultural. Ali aprendiam a agricultura, a construção, a arquitetura, a carpintaria, a metalurgia, a pecuária, as artes musicais e teatrais, a ler e escrever. As reduções eram também autônomas, e esse fato gerava muita oposição por parte: dos colonizadores, os quais temiam a consolidação de um “império jesuítico”; dos traficantes de escravos, vendo sua “fonte de renda” bem defendida e organizada; de outras tribos selvagens, entrando em conflito e tentando atacá-las; e dos demais colonizadores, segundo a mentalidade de que os indígenas não valiam tamanho esforço por parte dos missionários.

O período de meados do século XVII, quando viviam os três mártires, pode ser considerado o auge das reduções na América Latina.

Nossa Senhora da Conceição,
com traços indígenas
Foi nas missões que pe. Roque teve contato com pe. Afonso Rodrigues, jesuíta espanhol, natural de Zamora, província próxima ao norte de Portugal, e famosa pelo tratado da independência de Portugal, em 1143 (Tratado de Zamora). Afonso ingressou desde cedo na Companhia de Jesus, em Salamanca, onde realizou seus estudos. Com dezoito anos, foi enviado com outros companheiros para Córdoba, na Argentina, onde prosseguiu com os estudos e foi ordenado aos vinte e cinco anos de idade. Dedicou-se ao trabalho de evangelização com os índios guaicurus e na redução de Itapuã, até fundar em companhia de pe. Roque a redução de Todos os Santos em Caaró, em 1 de novembro de 1628.

Juntamente com Afonso, veio para a América João de Castilho (Juan del Castillo). Nobre de nascimento, natural de Belmonte, nasceu em 14 de setembro de 1595. cursou Direito na Universidade de Alcalá, onde decidiu-se definitivamente a ingressar na Companhia de Jesus, em 1614, com dezenove anos de idade. Prontificou-se a vir para a América, onde estudou em Córdoba e depois foi enviado ao Chile, onde foi ordenado sacerdote em 1625, com trinta anos de idade, e partiu para a missão de são Nicolau, recém-fundada pelo pe. Roque, na região do atual Rio Grande do Sul.

Em 1 de novembro de 1628, pe. Roque, em companhia de outros sacerdotes, inclusive os seus outros dois companheiros mártires, fundaram a redução de Todos os Santos, em Caaró, atualmente Caibaté, no rio Grande do Sul. Isso gerou a ira do cacique Nheçu, um curandeiro local que via os seus clientes desaparecerem e perdia cada vez mais seu poder por causa das reduções jesuítas.

Coração de são Roque Gonzáles
No dia 15 de novembro de 1628, quando acabava de celebrar a Santa Missa, pe. Roque Gonzáles foi atacado por um grupo de indígenas armados e comandados pelo cacique, os quais o mataram a marteladas com machados de pedra. Em seguida deram o mesmo tratamento a pe. Afonso Rodriguez, que saíra de sua cabana ao ouvir o barulho. Os índios atearam fogo à capela e jogaram no meio das chamas os corpos dos dois mártires.O coração de pe. Roque, porém, permaneceu ileso dentro das chamas. Ele tinha cinquenta e dois anos de idade e pe. Afonso, trinta.

Dois dias depois, em 17 de novembro, houve um novo ataque à redução, e desta vez assassinaram o pe. João de Castilho, e ainda um catecúmeno que tentou defendê-lo, o cacique Adauto, já de certa idade. Pe. João tinha trinta e três anos de idade.

Roque Gonzáles e seus companheiros foram beatificados por Pio XI em 28 de janeiro de 1934, e canonizados pelo João Paulo II em 16 de maio de 1988, quando o papa visitava Assunção. São os primeiros santos canonizados e que dedicaram suas vidas pela evangelização do Brasil.