quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Grupo cria movimento para acabar com Papai Noel





Na falta do bom velhinho que conhecemos, quem distribui chocolate às criancinhas, é outro bom velhinho, que não carrega saco.

Em Paderborn, Alemanha, também é Natal. O espírito natalino enfeita as ruas, anima as crianças, amolece o coração dos adultos. Mas falta algo ou alguém muito importante.

Paderborn é uma das cidades alemãs que se tornou zona livre de Papai Noel. Na falta do bom velhinho que conhecemos, quem distribui chocolate às criancinhas, sem 'ho, ho, ho', é outro bom velhinho, que não carrega saco e, no lugar do gorro vermelho, usa uma mitra, o chapéu de bispo, alto e pontudo. É São Nicolau.

O movimento que pretende tornar toda a Alemanha uma zona livre de Papai Noel é ligado à Igreja Católica.

O líder não tem dó de falar mal do Papai Noel: “Ele representa a indústria do consumo”, diz. E explica que, antes, o Natal na Alemanha era associado a São Nicolau, mas Noel foi ficando cada vez mais conhecido e adorado, até destronar o santo.

Pelas ruas de Paderbon, o homem vestido de são Nicolau prega o fim do Papai Noel. “Se Nicolau também trouxer presentes, por que não?”, diz uma senhora.

Conseguir apoio infantil é mais complicado. “Acabar com o Papai Noel? Não acho bom”, encerra um menino.

Mas quem é São Nicolau? O Fantástico foi até a Turquia para descobrir. Em Demre, na costa mediterrânea turca, a 850 km ao sul de Istambul, entre os séculos I e II, viveu e morreu o santo conhecido por proteger os marinheiros, ajudar as crianças e oferecer ouro aos pobres, em segredo. Às vezes, até usava as chaminés para deixar sua oferta.

Hoje, a cidade com pouco mais de 15 mil habitantes vive do turismo do Noel Baba, Papai Noel em turco.

Além do museu, na antiga igreja da cidade, o Noel Baba é nome de tabacaria, mercado, restaurante e, quando o nome não está no letreiro, está no cardápio. Até o símbolo da prefeitura é o bom velhinho sorridente.

Mas lá não existe briga entre Papai Noel e São Nicolau. Os dois são a mesma pessoa, um originou o outro. Mesmo assim, há polêmica.

Em Demre, São Nicolau é representado por quatro estátuas e quase virou protagonista de um incidente diplomático.

Uma delas, que mostra São Nicolau com um saco às costas, cercado de crianças, foi a primeira erguida na cidade. A imagem tem uma longa barba, o que pode ter servido de modelo para o nosso Papai Noel.

Durante 20 anos, ela foi a única estátua de São Nicolau na cidade. No ano 2000, os cristãos ortodoxos russos, que veneram o santo e fazem peregrinação anual a Demre, encomendaram uma nova estátua, que está de braços abertos e lembra um santo.

Em 2005, o prefeito substituiu esta estátua por uma do Papai Noel, como nós conhecemos, com roupa e gorro vermelhos. O objetivo era atrair mais turistas. Em vez disso, atraiu a ira do governo russo, que protestou.

Para acalmar a situação a figura do Papai Noel foi para um depósito e, agora, no centro da praça principal, está uma imagem que mostra um homem turco cercado por crianças.

O vice-prefeito da cidade diz que a troca de estátuas não foi um ato político. “Queríamos ter uma figura original, feita por um artista da cidade”, afirma Yusuf Kapar.

Para um turista alemão, foi uma boa medida. “São Nicolau é o verdadeiro Papai Noel”, ele diz. “E não aquele que se veste de vermelho, uma figura comercial criada pelos americanos e misturada com lendas dos países nórdicos”.

As quatro estátuas não afastam a peregrinação dos devotos de São Nicolau. Mas esta não é a única polêmica envolvendo o santo.

Marinheiros italianos foram até a tumba de São Nicolau, onde os restos mortais do santo ficaram até 1087, e roubaram todos os ossos. Levaram para Bari, na Itália, onde hoje existe uma catedral em homenagem a ele. Agora o governo turco iniciou uma campanha para trazer de volta todos os ossos de São Nicolau.

E é a tumba vazia que recebe as maiores demonstrações de fé dos turistas que lotam a cidade no dia 6 de dezembro, dia em que São Nicolau morreu. Emocionados, os fiéis tocam a pedra, beijam o vidro que protege o local. São, na maioria, russos e gregos devotos do santo, pra quem a imagem do Papai Noel tradicional, como nós a conhecemos, só vale mesmo como souvenir.

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